A Câmara de Franca abriu, na sessão de ontem, uma CP (Comissão Processante) para cassar o vereador Marcelo Mambrini (PMN) por quebra de decoro parlamentar. O resultado sai em até 90 dias. Mambrini é acusado de pegar para si R$ 800 mensais do salário de sua ex-assessora Lara Rodrigues durante 14 meses. Nirley de Souza (DEM), que respondia a acusação semelhante, teve seu caso arquivado.
A sessão foi tensa e lembrou uma partida de xadrez. A cada movimentação do grupo pró-cassação, os aliados dos vereadores acusados se movimentavam. Mambrini foi o mais inquieto. Primeiro, tentou colher assinaturas para abrir uma Comissão Especial de Inquérito para apurar as denúncias - o que abafaria a CP - mas precisava de 5 assinaturas e colheu só a sua.
Em seguida, Mambrini tentou ganhar tempo. Pediu o adiamento da votação para abertura da CP por quatro sessões. A proposta foi a plenário e ficou em 7 a 7. No voto de minerva, o presidente da Casa, Joaquim Ribeiro (PSB), votou pelo adiamento. Mas Gilson Pelizaro (PT) pediu, e conseguiu, a anulação do voto de Mambrini, interessado pessoal na matéria, e a decisão foi para o plenário.
Na votação, nove vereadores votaram pela instauração da CP e cinco contra (veja no quadro). Ribeiro não votou por ser presidente da Câmara. Depois sortearam-se os membros da comissão, que serão Marcelo Caleiro (PMDB), Rui Engrácia (PSDB) e Pelizaro. “Vamos fazer um trabalho justo”, disse Caleiro. A primeira reunião ocorre na próxima semana.
Mambrini não gostou da decisão e disse que os processos foram avaliados de maneiras destoantes. “Tanto no meu caso como no do Nirley é flagrante a vontade das ex-assessoras de nos prejudicar (...) Dá a entender que algumas pessoas não querem acreditar na minha defesa”, afirmou.
NIRLEY
A estratégia de Nirley foi oposta à de Mambrini. O vereador foi à tribuna por poucos minutos e pediu a absolvição. Alegou que tinha provas de que sua ex-assessora Márcia Pessoni mentiu, por vingança, para prejudicá-lo. Segundo Márcia, ela teve pagar as prestações de um Gol para o irmão de Nirley, Carlos Roberto de Souza, o “Carlinhos”.
Nirley apresentou uma ação trabalhista que Márcia move contra a Câmara na qual ela garantia que seu salário era de R$ 2 mil. Na ocasião, não citou para o juiz a suposta partilha. Convenceu os colegas e, por 8 votos a 6 foi absolvido. “Me convenci que não existia nada de concreto. Ela afirma que recebia o salário integral e depois alegou que pagava R$ 300 no carnê do irmão do Nirley. Existe uma divergência”, disse Luiz Carlos Fernandes (PSDB).
Tão logo o arquivamento foi anunciado, Nirley de Souza comemorou o resultado. “Felizmente esse pesadelo acabou”, disse.
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