Terminou o Carnaval. Guardadas as máscaras e os trajes exibidos pelas figuras grotescas do Entrudo, a vida vai agora voltar à normalidade. Depois dos excessos e dos exageros de todas as formas, vem um tempo de sossego e de contenção. É desta alternância que se organiza a vida em sociedade.
Todo mundo tem um repertório de temas, opiniões, histórias e piadas a que recorre quando um silêncio sem intimidade se alonga além da conta. Nada custa mais a uma natureza tímida do que a involuntária convivência silenciosa com alguém pouco conhecido. O silêncio, enfim, é a medida da intimidade. Entre amigos, ele não pesa e pode mesmo ser um refúgio quando nada há a dizer. Não há palavras diante de um pôr do sol, da morte de uma pessoa amada, do desejo saciado. Para o melhor e para o pior, nunca há palavras. Por isso, são tão necessários os poetas. E, na falta deles, o lugar-comum. A frase-feita. O comentário-padrão. Como descrever a minuciosa variedade de cores de um poente? Como, aliás, descrever um arco-íris? Como descrever a singularidade da dor ou do prazer? A vida, onde ela de fato importa, é tecida de gestos, silêncios e frases-feitas. Um abraço, um sorriso, ‘Meus pêsames’, ‘Lindo!’, ‘Delícia!’, ‘Adorei!’, um simples olhar. E estamos conversados.
Mas falei de repertório de assuntos porque você me lê na quinta-feira de cinzas, dia em que o mundo retoma relutante seu ritmo cotidiano. A sensação que tenho é de que Franca se finge de morta à espera do fim de semana e se deixará arrastar pelas horas sonsamente até sábado.
O que a minha intuição me diz é que o Carnaval está morto. Pois é... Carnaval já não serve nem como tema quando falta assunto e a impressão que me dá é que as pessoas lamentam é não poder emendar logo de uma vez dez dias seguidos de sossego, sem trabalho, nos ranchos nas proximidades de Franca, em casa, de papo pro ar, com a patroa e as crianças.
A população aumentou, o poder aquisitivo também, mas os clubes não conseguem repetir o brilhantismo dos bailes de outrora. Onde estão os fanáticos de Momo, a participação popular na qual se viam misturados foliões de todas as categorias sociais? Será que os amantes das pândegas carnavalescas tornaram-se espécimes em extinção? Quem sabe de cor um samba-enredo? Aliás, qual a diferença entre um samba-enredo e outro – deste ano ou do ano passado ou do ano que vem? De que ano são essas imagens que se sucedem quase iguais na tela, fazendo jus ao antigo refrão: ‘O que pinta de novo (em sua enfadonha repetição), pinta na tela da Globo’? E essa quase-nudez que é o avesso de toda intimidade? Essa nudez é como a falta de assunto, nudez de um corpo mercantil, despossuído de alma. A impressão que me dá é que falta a genuína espontaneidade que é a marca da alegria. Tudo parece comprado: dos seios aos sorrisos.
POVO MARGINALIZADO
O povo está, a cada dia, mais marginalizado do foco da folia, apesar de ocorrer na rua. Para fazer parte de um bloco, mesmo de rua, no carnaval baiano, como um exemplo, o cidadão tem que gastar muitos reais. A festa que era livre, leve e solta, agora é cara, pesada e para poucos. Os trios, que antes desfilavam pelas ruas exalando alegria e no mais democrático grito de carnaval, hoje andam em roteiros fechados e destinados somente para quem pagou. Para o povo, quando muito, restará a já famosa ‘pipoca’, atrás do cordão de isolamento dos blocos e, claro, bem longe dos trios e dos artistas.
CURIOSIDADE
Já repararam que no Carnaval é permitido exibir na televisão, ao meio dia, mulheres seminuas em um contexto completamente erótico, que no resto do ano seria considerado atentado ao pudor de nível gravíssimo?
CUIDADO NAS COMPRAS
No site da Prefeitura de Franca – http://www.franca.sp.gov.br/ – você pode encontrar uma pesquisa do Procon realizada junto a livrarias e papelarias da cidade para avaliar os preços dos 75 itens mais solicitados em listas de materiais escolares. Foi constatada uma grande diferença nos valores, chegando a até 1.150%. Essa pesquisa está também disponível aos interessados na sede do Procon, localizado na Rua General Carneiro, 1557, no Centro e funciona das 8 às 16 horas. É bom conferir.
NEGATIVO
Moradores do Recanto Elimar III, em Franca, acionam essa coluna para reclamar contra o matagal que toma conta daquele bairro. Aranhas, ratos, escorpiões, sapos, cobras e vermes desconhecidos amedrontam a população. Uma moradora contou que não sabe mais o que fazer e diz estar apavorada após encontrar duas cobras em sua casa: ‘É horrível ter que conviver com tanta sujeira. O mato está muito alto, toma conta de boa parte da calçada e também da rua onde moro, isso sem contar com toneladas de lixo atirados diariamente no matagal, provocando terrível mau cheiro. Precisamos com urgência que a Prefeitura limpe o bairro’, comenta.
POSITIVO
A presença do público na passarela do samba ‘José Renato Rosa’ foi além do esperado. Os foliões vibraram com as escolas, algumas se esforçando ao máximo para causar boa impressão, apesar das dificuldades encontradas. Estima-se que mais de 10 mil pessoas participaram da folia, isso no domingo. Na terça-feira, último dia dos desfiles, o maior público, lotando a passarela do samba. Como a maioria dos francanos optou pelos ranchos, praias e cidades vizinhas, valeu a festa para os que aqui ficaram.
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