Ainda muito longe da produção que chegou a ter nos anos 90, quando eram feitos perto de 12 mil pares todos os dias e empregava 3 mil pessoas, a Calçados Samello retomará sua produção nas próximas semanas, após mais de 15 meses com a sua fábrica totalmente parada. O presidente do grupo, Miguel Sábio de Mello Neto, disse que espera ligar as máquinas da fábrica até o final do mês, com a contratação de 40 funcionários e confecção de 200 pares diários.
Embora discreto no início, o plano de retomada de uma das mais tradicionais empresas calçadistas do País inclui a expansão do número de franquias - de atuais 13 para 21 -, produção de 2 mil pares por dia até o final do ano e a retomada das exportações. A empresa já negociou pedidos dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Os primeiros contratos foram fechados com clientes das franquias e multimarcas durante a Couromoda - feira de calçados e acessórios que aconteceu na primeira quinzena de janeiro, em São Paulo.
Boa parte dos pedidos será atendida pelas empresas contratadas, que hoje produzem uma média de 700 pares/dia para as lojas de franquia da Samello. São essas empresas as responsáveis pela continuação da marca no mercado depois que a principal fábrica fechou, em outubro de 2006.
“Pretendemos começar com uma produção enxuta e disciplinada com relação a custos e despesas”, explica Mello.
A retomada não foi a única iniciativa tomada pelo Grupo Samello neste ano. Para reduzir despesas, a diretoria decidiu transferir a produção da Vaccaro - empresa de solados que funcionava no Jardim Santana - para o prédio da Rua General Osório.
Ao unir a produção de solados e sapatos, o grupo passará a ter um custo operacional mais baixo centralizando portaria, transporte, financeiro e energia, permitindo que o prédio da Vaccaro seja posto à venda. Isso possibilitará à Samello reduzir sua dívida, que, hoje, de acordo com Mello, está em torno de R$ 60 milhões.
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