Oito famílias desabrigadas, casas destelhadas, muros caídos, árvores arrancadas, Carnabira cancelado e quase 24 horas sem energia elétrica. Este foi o saldo de um vendaval que atingiu Ibiraci (MG) na tarde do sábado de Carnaval. Para piorar, depois da ventania, foi a vez das chuvas castigarem a cidade e causar estragos. Em um ponto do Centro, um muro de arrimo e a rede de esgotos foram arrancados pelas águas e o asfalto corre o risco de ser engolido pela cratera formada no local.
A prefeitura tem tido muito trabalho para recompor os estragos. Inicialmente, o objetivo foi abrigar as pessoas que tiveram suas residências comprometidas com os eventos. “Retiramos os entulhos e liberamos as casas para as famílias voltarem. As mais carentes terão a ajuda social necessária”, afirmou o prefeito Ismael Silva Cândido (PT).
Apesar da gravidade da ocorrência, Cândido não cogita decretar situação de emergência. Segundo ele, a situação está sob controle da prefeitura. “O que ficou foi muita sujeira, entulhos por toda parte, árvores grandes arrancadas, mas vamos tomar conta de tudo. A pior parte mesmo foram o susto e os prejuízos”, disse.
De acordo com o cabo Guimarães, da Polícia Militar de Ibiraci, no momento do vendaval, as linhas de comunicação ficaram congestionadas, tamanha a quantidade de telefonemas. “A população queria informações sobre eventuais feridos ou familiares que não estavam em suas casas. Felizmente, os danos se limitaram ao lado material”, afirmou.
Entre os principais prejudicados, estão os comerciantes. Com uma queda de energia de quase 24 horas (entre 20 horas de sábado e 18h30 de domingo), produtos perecíveis - em especial carnes e derivados - estragaram. “Alguém vai ter que ressarcir a gente”, reclamou o comerciante Alexandre Rodrigues, que deverá abrir ação indenizatória contra a Cemig (Companhia Elétrica de Minas Gerais).
O MURO CAIU
Faltavam poucos minutos para as 19 horas do sábado quando o aposentado Riolando Batista, 68, ouviu um estrondo. A princípio, não se preocupou. Pensou se tratar de bombas ou instrumentos musicais. Quando resolveu olhar pela janela, quase meia hora depois, o susto: seu Honda Fit, com três meses de uso, estava sob um muro de tijolos. “Imaginei que fosse o pessoal fazendo bagunça na rua e assustei quando vi o carro todo amassado. Mas está bom.
Pior se a gente estivesse lá dentro”, disse Riolando.
Já o músico ribeirão-pretano Nilson Assis Conti, 38, afirmou que quase foi levado pelo vento. Ele disse que estava no palco do Ciel (Centro Ibiraciense de Esporte e Lazer), onde acontece o Carnabira, quando começou a ventar. Ao tentar descer e tirar o carro de baixo de uma estrutura metálica, foi surpreendido pela força da ventania. “Tentei abrir o portão para fora e ele voltou em mim com tal força que fui jogado contra o muro. O vento retorceu o ferro das estruturas como se fosse papel”.
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