A queda de mais uma gigante


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Crise, China, queda nas exportações, problemas de logística, queda na produção. Ao que tudo indica, as palavras acima, entoadas como verdadeiros mantras pelos calçadistas da Franca, terão que ser trocadas, em breve, por um outro verbete: investimento. Isto é, para quem quiser se manter competitivo no mercado. A notícia, conquanto mais ou menos esperada, caiu como uma bomba entre os sapateiros de Franca e região: a Agabê, empresa com mais de seis décadas de história, fechou as portas em Franca e demitiu 600 funcionários. Mais uma leva de desempregados do setor calçadista. Não é só. A queda de mais uma das indústrias gigantes da cidade coloca em xeque o otimismo com que os industriais e trabalhadores esperavam 2008. Não é só. Além do óbvio efeito na auto-estima de uma atividade já cambaleante, existe o fator prático: são 600 novos concorrentes para os sapateiros autônomos. Não há o que duvidar: muitos desses profissionais demitidos constituirão suas próprias bancas de pesponto e farão parte da imensa concorrência que já atinge os autônomos da cidade. O preço dos serviços desta categoria, hoje já baixos, pode retroceder ainda mais. Não é uma boa notícia, com certeza. Ao que parece, a Agabê não mais produzirá diretamente em Franca. Continuará com algumas linhas produzidas na cidade, mas através de empresas terceirizadas, algo semelhante ao que a Sândalo começou a fazer no fim do ano passado. Existe a possibilidade, ainda, de que um dos Betarello comece na cidade uma nova fábrica, pagando menos do que a Agabê pagava a seus funcionários e, portanto, com mais condições de competir com outros cantos do País. Nenhuma das duas possibilidades é de empolgar. Mas, por piores que sejam, ainda constituem alternativas melhores que o atual cenário. Difícil encontrar uma posição, mas, ao que indicam os diretores da empresa, a decisão era antiga - chegou a ser antecipada por este Comércio em novembro. Também não deve ter sido uma decisão fácil, já que Miguel Betarello, filho do fundador, Hugo Betarello, nunca negou o apego à sua cidade e vinha tentando evitar, na última década, pelo menos, que a empresa que comanda deixasse de vez a terra das três colinas. O fim das atividades da Agabê, no entanto, tem um quê de diferente das demais. Parece, no olhar deste colunista, um passo profundamente estudado e planejado pela empresa. Ao contrário da Samello, que simplesmente faliu, e da Sândalo, que se viu obrigada a modificar seu estilo de produção radicalmente do dia para a noite para continuar viável, a Agabê parece ter fechado em Franca para continuar viva, ainda que no Nordeste. A fábrica de Aracati (CE) continuará funcionando, talvez até com aumento da produção. Os salários, em Franca e no Ceará estão em dia, assim como os respectivos depósitos no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Na análise deste colunista, parece que Franca perde mais do que uma indústria: vai-se embora outro pedaço considerável de sua tradição. Muito triste. DESIGN 1 No meio de más notícias, uma novidade serve para aliviar os corações francanos. O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) de Franca acredita que o Centro de Design de Calçados estará pronto até o segundo semestre de 2008. A previsão é do diretor da unidade, Celso Taborda, e foi divulgada no site do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçado de Franca). DESIGN 2 A obra, que teve início nos últimos meses de 2006, tem 45% das edificações concluídas. Todo o projeto, incluindo os equipamentos e móveis, está orçado em R$ 13 milhões. O Centro de Design terá laboratórios, oficinas, auditório e salão para desfiles e exposições. EMPERRADAS Continuam emperradas as negociações entre patrões e empregados. O reajuste para os sapateiros ainda está longe de ser definido. O Sindifranca mostra pouca disposição para negociar. Parece ter interesse em arrastar a situação. No fim das contas, a entidade deve fechar algo em torno de 5% com os trabalhadores. Poderia, pois, ir direto ao ponto. Ambas as categorias, hoje frágeis, sairiam ganhando se as armas fossem poupadas para combater os problemas do setor. SAMELLO E fevereiro deve marcar, segundo previsões dos Sábio de Mello, a volta ao mercado da Calçados Samello. Originalmente anunciada para janeiro, a empreitada foi “empurrada” para fevereiro para que a direção da empresa conseguisse capital para financiar a volta às esteiras. Esperamos, pois, que a Samello, gigante de porte igual à Agabê, volte a produzir logo. Seria uma vitória importante para o setor e uma prova de que nem tudo será triste neste 2008 que começa.

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