Cana-de-açúcar cresce e tira milho, arroz e feijão do prato da região


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Canaviais como o da foto estão cada vez mais tomando o lugar de outras culturas, como o milho, o arroz e o feijão
Canaviais como o da foto estão cada vez mais tomando o lugar de outras culturas, como o milho, o arroz e o feijão
Três dos principais produtos da alimentação brasileira vêm perdendo espaço para a cana na região. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que o cultivo de arroz, feijão e milho foi substituído, entre os anos de 1996 a 2006, pela matéria-prima do etanol. Hoje, a área ocupada pelas culturas é quase três vezes menor do que a registrada há uma década. Apesar de não representarem um alto percentual de área plantada nas terras da região, as três culturas, características de pequenas propriedades de subsistência, estão encolhendo cada vez mais. Enquanto em 1996 elas representavam juntas 33,65% de toda a área plantada, em 2006 o total caiu para 13,07%. No mesmo período, participação da cana passou de 24,75% para 45,24% das terras da região. O milho, a maior cultura das três citadas, representava em 1996 30,91% da área plantada em 12 cidades da região, com 49.050 hectares. Dez anos depois, este percentual caiu para 12,32%, correspondente a 19.550 hectares. No caso do arroz, o percentual já em 1996 era pequeno, representando 1,96% da área plantada, ou 3.111 hectares. Em 2006, a participação caiu para 0,40%, ocupando apenas 641 hectares. Neste mesmo período, o feijão perdeu metade da área que ocupava. Eram 1.246 hectares em 1996 e, em uma década, caiu para 570 hectares. Os números do IBGE ganham respaldo com as afirmações do presidente do Sindicato Rural de Franca, Geraldo Cintra, que diz que o milho foi substituído sim pela cana. “Eu não tenho números para passar, mas tinha muita área que era milho e agora é cana”. Sobre o feijão e o arroz, ele diz que não acredita ser a cana a responsável pela diminuição da cultura. “O arroz aqui é difícil. É terra nova, não muito boa para a produção de arroz. Já o feijão sempre foi pequeno (o plantio). No entanto, ele admite que os pequenos produtores possam ter deixado de plantar as culturas para optar pelo arrendamento das terras. “Eu acho que aconteceu (o arrendamento de pequenas propriedades para o plantio). Aqui em Cristais, por exemplo, você não via cana. Agora você já vê.” O economista Hélio Braga Filho, em entrevista ao Comércio no dia 20 de janeiro, já havia ressaltado esta mudança nas terras da região e sinalizava que o tema deve ser observado com atenção. “A preocupação não é só ambiental, mas também econômica e social. À medida que a cana vai avançando para outras áreas, é importante questionar o seguinte: este avanço tem sido acompanhado do recuo de outras culturas utilizadas para a alimentação?”, pergunta Hélio.

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