É verdade que Deus é pai de todos, quer a salvação de todos e não faz acepção de pessoas, somos seus filhos, entretanto, seus prediletos são os pobres. Quando se faz esta afirmação nunca se pensa em classe social, não se faz distinção entre pessoas com muitos ou poucos bens materiais.
É pobre aquele que sente necessidade de Deus, portanto, uma pessoa abastada materialmente deve ter, interiormente, necessidade de Deus, portanto, é muito amada também. As leituras da missa deste domingo nos ajudam a entender melhor este pensamento.
A primeira leitura é do livro do profeta Sofonias. Houve um tempo em que Deus parecia aliado dos ricos: o bem-estar, a riqueza, a abundância de bens, a numerosa posteridade eram considerados sinais da sua bênção. Aos poucos esta mentalidade muda, principalmente, quando chegam à triste conclusão que existe riqueza que é fruto de opressão e de exploração.
O profeta Sofonias convida a uma atitude que agrada a Deus: buscar a humildade, viver a pobreza. Pobre é aquele que, não tendo segurança alguma, confia inteiramente em Deus. A partir desta idéia ser pobre é a expressão plena da perfeição.
A segunda leitura é um trecho da carta de Paulo aos Coríntios.
Paulo explica-lhes que estão vivendo um pedaço difícil na vida porque os cristãos deixaram entrar no coração o espírito devastador da competição, ficar rico. O apóstolo diz que Deus escolhe os que são considerados sem valor por todos.
A própria comunidade de Corinto é sinal desta verdade: entre eles não há nenhum nobre, todos são pobres. O segredo é este: Deus escolhe os pequenos para enriquecê-los com seus dons. É verdade: quando nos colocamos possuidores de tantas coisas parece nem sentirmos necessidade de Deus.
O evangelho esclarece melhor ao tratar o tema das bem-aventuranças. Esse tema faz parte do “Sermão da Montanha”, dirigido aos cristãos de todos os lugares e de todos os tempos:
* Os pobres em espírito: é aquele que escolheu trabalhar na construção de uma sociedade nova e alternativa, fundada na partilha e no serviço ao irmão.
* Os que sofrem: Deus não sente prazer vendo o homem se destruir pelo sofrimento. São sofredores aqueles que nada possuem. Jesus veio para ajudar, consolar e resolver esta situação na vida dos que nele confiam.
* Os mansos: são aqueles que são privados dos seus direitos, da sua liberdade, dos seus bens. Eles recusam o uso da violência, são pacientes, tolerantes, mas não desanimam, pois, com humildade buscam soluções para a própria vida.
* Os que têm fome e sede de justiça: muitas pessoas clamam por justiça com a mesma coragem que um faminto ou um sedento procura um pedaço de pão ou um copo de água. Jesus os conforta, pois, com a vinda do Reino, o seu desejo será saciado. Quem já passou por esta situação dá testemunho de como Deus se fez presente.
* Os misericordiosos: são aqueles que ajudam os outros e que se empenham para que as pessoas necessitadas encontrem aquilo de que necessitam.
* Os puros de coração: são as pessoas que possuem um coração honesto e sincero, os que não guardam sentimentos maus em relação ao próprio coração. Estes são possuidores de uma profunda experiência de Deus.
* Os que fazem a paz acontecer: são os que se esforçam para construir um mundo no qual existe para todos a paz. São aqueles que amam o bem-estar total e estão em harmonia com Deus, com os outros e consigo mesmos.
* Os perseguidos por causa da justiça: são bem-aventurados aqueles que sabem que a única força capaz de romper a espiral da violência, de fato, é a do amor e do perdão.
TEMPO QUARESMAL
Após os festejos do Carnaval brota o tempo litúrgico da Quaresma: 40 dias de preparação para a festa mais importante dos cristãos que é a Páscoa. A Quaresma surge aproximadamente 200 anos depois de Cristo. Os cristãos desejosos de saborear em plenitude os frutos espirituais da Páscoa, introduziram o costume de celebrá-la, precedendo-a por três dias dedicados à oração, à meditação e ao jejum, como sinal de luto pela morte de Cristo. Passaram-se mais 150 anos e os cristãos os aumentaram para 40 dias. Surgia assim a Quadragésima, que em português é a Quaresma.
ATITUDES QUARESMAIS
A Quaresma é um período de renovação da própria vida. As práticas quaresmais são: a oração, a luta contra o mal e o jejum.
A oração para pedir a Deus a força para se converter e para crer no Evangelho.
A luta contra o mal para dominar as paixões e o egoísmo. O jejum que ajuda o cristão a ter força de se esquecer de si mesmo, de não pensar nos próprios interesses, mas somente no bem do irmão.
TEMPO DE RECONCILIAÇÃO
O tempo da Quaresma é um período oportuno para o cristão se aproximar do sacramento da reconciliação, isto é, da Confissão. Este sacramento dá àquele que crê o amor misericordioso de Deus Pai que entregou seu Filho na cruz para salvar a humanidade. Deus não quer seus filhos distantes do seu infinito amor. Pela confissão reacende a graça do batismo que recebemos.
PENITÊNCIAS
Muitos católicos conservam o piedoso exercício das penitências. São sacrifícios que enfrentam, com alegria, buscando a própria conversão. Existem procissões penitenciais nas madrugadas, noites em oração, horas-de-guarda diante de Jesus Sacramentado, visitas em asilos e hospitais. O Objetivo é purificar o coração de faltas cometidas que revelam nosso egoísmo. É pela fé que a pessoa se sente impulsionada a tais práticas.
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