Começam a surgir novos indícios que complicam ainda mais a situação da advogada Adriana Telini. Ela é acusada de envolvimento em roubo contra um casal vendedor de jóias, ocorrido em janeiro. Quando a polícia Civil esteve no escritório da advogada, na última quinta-feira, para cumprir o mandado de prisão por conta dessa acusação, os investigadores encontraram, durante as buscas, uma folha de caderno com ins-truções anotadas pela advogada. Segundo a polícia, o bilhete era dirigido ao seu noivo, Luciano dos Santos Gonçalves, 31, preso também por suspeita de envolvimento no mesmo roubo.
A advogada já havia prestado depoimento sobre o assalto uma semana antes na DIG e o bilhete, na avaliação da polícia, era uma orientação clara sobre o que seu futuro marido deveria dizer para não se complicarem. Ele seria o próximo a ser ouvido pela polícia.
A versão que ensaiou para seu noivo apresentar não chegou a ser utilizada. Luciano foi preso juntamente com Telini e a secretária dela na mesma quinta-feira. “No bilhete ela deu detalhes do seu depoimento, destacando que me disse não saber corretamente o número de telefone que estava usando. Ela passou as coordenadas para que o noivo não entrasse em contradição”, disse o delegado Márcio Garcia Murari.
O bilhete escrito por Adriana Telini é repleto de palavras abreviadas, rasuradas e frases incompletas como por exemplo: “Se perguntarem c/estamos no comunicando... do tel de sua irmã, de amigos ou orelhão. O cel estava sem chip. diga que você tinha tirado p/arrumar e deixado na gaveta, que eu não lembrava o num”.
A advogada também contou detalhes do depoimento de sua secretária à polícia. Escreveu no bilhete: “Perguntaram p/Bruna se ela tinha namorado... ela disse só paqueras. Se perguntarem se vc saiu antes dela chegar, vc responda ok”. Ao orientar uma resposta ao noivo, Adriana Telini faz uma revelação surpreendente. “...diga... a Adriana está grávida de gêmeos e c/esse tumulto ela ficou muito tensa”.
O noivo de Adriana Telini mora em Campinas. Como justificar a presença dele em Franca na segunda-feira, 21, dia em que ocorreu o roubo das jóias? A advogada encontrou a solução: “Vc ficou até segunda p/ver sobre o convênio, papéis do casamento, ir tirar sangue + estava chovendo. Nem me viu lá”.
As orientações não tiveram utilidade. A polícia reuniu indícios contra Luciano Gonçalves e o prendeu antes mesmo que prestasse depoimento. “O bilhete é mais uma prova do envolvimento dela. Se a advogada, a secretária e o Luciano não tivessem participação no roubo, não haveria necessidade de combinar qualquer tipo de depoimento que seja”, afirma Márcio Murari.
Além do bilhete, a polícia apreendeu três agendas, cartas de presidiários e uma apostila detalhando a origem do PCC, rebeliões e ataques que promoveu e principais líderes. “Vamos apurar por que ela mantinha estas informações em mãos. Também estamos checando dados encontrados em suas agendas”, finalizou Murari.
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