Coração do samba


| Tempo de leitura: 2 min
Tumtitutum titutum titutum... Só de ouvir as batidas parece que as pernas começam a vibrar e quando você menos imagina está arriscando os primeiros passos. E antes que perceba, e mesmo que de improviso, cai nas graças do samba. É Carnaval, a maior festa popular do País, historicamente “adotada” pela cultura brasileira. Não é à toa que o esqueleto sacode com o ritmo. O som produzido pelos instrumentos musicais é marcante e a folia fica cada vez mais envolvente. O Carnaval surgiu a partir de uma brincadeira de pessoas jogando água, ovos e farinha umas nas outras, simbolizando a liberdade e a diversão, sempre antes da Quaresma. Chegou ao Brasil por volta do século 17, influenciado pelas festas Carnavalescas na Europa. Foi a partir do século 20 que o evento se popularizou, graças às famosas marchinhas e à diversidade de instrumentos de corda e percussão que foi tomando conta das ruas, Hoje existem cerca de dez instrumentos que compõem a bateria de uma escola de samba, alternando-se entre os sons mais graves, como o surdo, aos mais agudos, a exemplo do tamborim, agogô e cuíca. Em geral, as grandes escolas de samba de São Paulo e Rio de Janeiro possuem de 200 a 400 ritimistas. O Carnaval de Franca está longe disso. Nossa realidade, mais rudimentar, envolve sete escolas, que, embora possuam todos os instrumentos para a bateria, contam, em média, com 50 integrantes. OS DONOS DO SOM Um dos instrumentos mais populares no samba é a cuíca, que foi trazida para o Brasil por escravos africanos e difundida no samba a partir de 1930. A cuíca era também chamada de “rugido de leão” ou de “tambor de fricção”. Na África, sua utilização era menos divertida: seu som era empregado por caçadores para atrair leões. Outro instrumento impactante é o surdo, que chama atenção por um dos seus tipos, o treme-terra. Ele apresenta um som bem grave e marcante. “É o coração da bateria. Com rajadas fortes, ele é um dos instrumentos mais importantes da bateria”, disse o professor em cultura popular da Unesp (Universidade de São Paulo), Alexandre Ikeda. Como em toda equipe há sempre um líder que coordena os demais, no Carnaval não é diferente. O repinique é o instrumento que “dirige” a entrada dos demais instrumentos durante uma apresentação. “Ele produz um som bastante agudo que é multiplicado a cada batida do músico. É fácil de ser identificado e, por isso, mesmo serve como um guia para a entrada de todos os instrumentos na apresentação”, explicou Ikeda. Juntos, surdos, cuícas, tamborim, entre outros geram um barulho de aproximadamente 80 decibéis. Um pouco menos do que a de um avião decolando.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários