Jacaré inflável, não


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Reginaldo Emídio (à esq.), da Feac, e Osvaldo Pereira, representantes das escolas de samba, concedem entrevista ao Comércio: situação, na visão de ambos, apresenta melhoras, mas há muito o que ser feito
Reginaldo Emídio (à esq.), da Feac, e Osvaldo Pereira, representantes das escolas de samba, concedem entrevista ao Comércio: situação, na visão de ambos, apresenta melhoras, mas há muito o que ser feito
<p>A Prefeitura de Franca jura que a passarela do samba não repetirá no Carnaval deste ano os deslizes imperdoáveis vistos em 2007e em anos anteriores. O show de horrores, protagonizado por passistas maltrapilhas, falhas no sistema de som, fantasias pobres e um jacaré inflável feio de dar dó deve, aos poucos, ceder lugar a um pacto de intenções entre a Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura) e a União das Escolas de Samba de Franca. Com os R$ 250 mil repassados pela Prefeitura, as agremiações esperam agradar ao público, cada vez mais interessado na festa promovida pelas cidades da região.<br />Desse recurso, R$ 108 mil foram destinados às seis escolas que desfilam e o restante para a infra-estrutura (arquibancada, iluminação, pintura de solo, segurança, além do pagamento dos jurados, que vêm de fora). <br />Osvaldo Pereira, presidente da União das Escolas de Samba, e Reginaldo Emídio, presidente da Feac, parecem, cordialmente, concordar em tudo quando o assunto é patrocinar o desfile. A menor verba liberada pela Prefeitura às escolas foi de R$ 11,5 mil e a maior de R$ 23 mil. Pouco, diante do que se espera. Ao Comércio,os dois disseram como a administração e as escolas estão se esforçando para atrair novamente as atenções dos moradores para o cambaleante Carnaval francano. </p> <p><strong>Comércio da Franca - Como está o desfile das escolas neste ano? Vamos ver jacaré inflável na avenida de novo?<br />Osvaldo Pereira</strong> - Não vão. As escolas se conscientizaram que tem o dever de fazer alguma coisa para se apresentar melhor. A população está esperando e acompanha todos os recursos que são liberados. Posso garantir que farão um bom desfile.</p> <p><br /><strong>Comércio - A Prefeitura destina uma verba para as escolas. Como é feita a prestação de contas dessa verba?<br />Pereira -</strong> A prestação de contas tem data determinada pela Feac que é de 30 dias após o término do Carnaval. Essa prestação é feita junto à Prefeitura. Se tiver alguma coisa errada, o departamento de finanças não aceita e ela (as escolas) têm de repor esse dinheiro.<br /><strong>Reginaldo Emídio -</strong> Estamos preparando também nessas prestações de contas fotografias e vídeo. Fizemos no ano passado e vamos fazer de novo. Chamar a moçada que organiza e dizer: “olha, é inconcebível ter um carro alegórico com rodinhas de rolimã”, por exemplo. É uma espécie de dossiê. E eles são críticos, mais que a gente.</p> <p><br /><strong>Comércio - As escolas fizeram trabalho ao longo do ano para arrecadar verba e não depender apenas da Prefeitura?<br />Pereira -</strong> Fizeram. O dinheiro só da Prefeitura não daria para pôr na avenida o que estão pondo. Eles têm caixa. Fizeram promoções para arrecadar dinheiro. Não arrecadam muito, porque elas ainda encontram dificuldade nessas promoções.</p> <p><br /><strong>Comércio - Franca chegou a ter dois grupos de escolas e os desfiles contavam com muito mais integrantes. O Carnaval hoje é o que as escolas gostariam de apresentar na avenida?<br />Emídio -</strong> Tivemos períodos áureos, de fato. Mas o que a gente pretende que aconteça, e o ano que vem vamos trabalhar para isso, é intercalar o desfile das escolas com o de blocos, que era muito bonito. <br /><strong>Pereira -</strong> O que existia, eram as famílias que se formavam dentro da escola de samba. Eram a raiz das escolas. Era avó, filha, sobrinha, netos, tudo. Naquela época as escolas colocavam 500 a 600 pessoas na avenida. Ficamos um tempo sem Carnaval e isso fez com que as famílias se afastassem um pouco. Começou agora as escolas a voltarem. Hoje, já é maior que no ano passado. Acredito que o ano que vem será maior ainda.</p> <p><br /><strong>Comércio - A Prefeitura investiria mais se as escolas apresentassem um desfile mais bonito?<br />Emídio</strong> - Investiria. Não só no Carnaval, mas em outras atividades. Tudo aquilo que é possível crescer, a gente ajuda. Mas é importante, nós insistimos, que as escolas se transformem em empresa. O que a gente sentiu esse tempo todo é que faltava assessoria jurídica, contábil, coisa que as escolas não tinham. Mas, resumindo, acho que nada mais justo que ajudá-las, claro que tudo dentro de uma ótica administrativa, com os cuidados que administração do dinheiro público exige.</p> <p><br /><strong>Comércio - Há previsão de chegar um tempo de o poder público não destinar nenhum recurso para as escolas?<br />Emídio -</strong> Sinceramente, creio que isso nunca irá existir. É preciso a ajuda do município. Além da verba para eles comprarem os figurinos, existe a estrutura montada na avenida. É claro que gostaríamos de um dia apresentar às escolas o grande palco para elas se apresentarem, como acontece em outros lugares, mas vai demorar.</p> <p><br /><strong>Comércio - Se está sendo exigido das escolas que elas se tornem empresas, por que não é possível imaginar que elas se sustentem com recursos próprios, livrando o município desse encargo?<br />Pereira -</strong> Todos os eventos culturais e esportivos, como o futebol, basquete, vôlei e Carnaval, teatro, fazem parte da vida da cidade. O público contribui e quer ver um Carnaval, uma disputa esportiva; sendo parte de nossa história, não teria sentido a Prefeitura não trazer lazer para o público. O Carnaval é um lazer. Mas as escolas também têm trabalhado para arrecadar recursos e depender menos do dinheiro público.</p> <p><br /><strong>Comércio - Na cidade de Rifaina a Prefeitura não investe no Carnaval e não realiza mais nada nesse período por causa da desordem. Em sua opinião é uma posição radical do prefeito?</strong> <br /><strong>Pereira -</strong> Eu acho que é radical ao extremo. Como cidade turística, ela atrai pessoas de fora. Sou de lá, mas creio que isso esteja acontecendo agora.</p> <p><br /><strong>Comércio - A gente sabe que as cidades vizinhas promovem um Carnaval diferente, caracterizado por blocos e bailes de salão que atrai milhares de pessoas, inclusive de Franca. Não seria o momento de repensar o modelo de festa que se oferece aqui?<br />Pereira -</strong> Isso já aconteceu na administração do Ary Balieiro, mas a idéia não vingou. A população quer escola de samba na rua. Há um desejo por outras modalidades, mas primeiro é o desfile. <br /><strong>Emídio -</strong> Vejo como uma questão cultural. Cada cidade tem suas características. Em Franca essa questão do Carnaval das escolas, na rua, já está enraizada, está nas famílias, nas pessoas que participam. Acho também que o porte de Franca hoje não comporta mais esse evento. Isso funciona muito bem em cidades pequenas.</p>

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