Agabê fecha as portas


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Funcionários que já haviam assinado o aviso prévio podiam ser visto se despedindo dos colegas na porta da empresa ontem
Funcionários que já haviam assinado o aviso prévio podiam ser visto se despedindo dos colegas na porta da empresa ontem
Eram 12 horas da sexta-feira, 1º de fevereiro de 2008, quando as máquinas de uma das mais tradicionais e importantes fábricas de calçados do país pararam. Depois de 62 anos de uma história que se confunde com a de Franca, a Agabê fechou suas portas na cidade. Para um refeitório lotado por seus 500 funcionários, o presidente da empresa, Miguel Betarello, anunciou, num discurso emocionado e cheio de pausas, o encerramento das atividades, como antecipado pelo Comércio no final do ano passado. Depois, todos foram orientados a assinarem o aviso prévio. A empresa, que já foi uma das maiores empregadoras da cidade (chegou a ter mais de 3 mil funcionários e produzir 10 mil pares de calçados por dia), é terceira grande indústria a fechar as portas na cidade em menos de dois anos - a Samello encerrou as atividades em outubro de 2006 e a Sândalo em janeiro de 2007. Há tempos, a Agabê vinha lutando para se manter funcionando em Franca. Há três meses, chegou a confirmar a transferência de sua produção local para a filial em Aracati, no Ceará, mas, depois de um incêndio naquela unidade, desistiu da idéia. Ontem, jogou a toalha. Agora, a empresa deverá licenciar suas marcas Betarello e Agabê para que outras fábricas francanas possam assumir a produção de seus calçados, a exemplo do que fez Sândalo. Depois, no futuro, a intenção é elevar a produção de pares em Aracati. Os grandes galpões na Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso onde a Agabê funcionava serão desativados. A diretoria tem planos de alugar o prédio. Quanto aos 500 funcionários demitidos, a idéia é orientar as indústrias que fabricarão a marca a contratá-los. Para boa parte dos dispensados na tarde de ontem, a esperança é um dia voltar ao posto. “Quem sabe um dia eu volto. O Miguel disse que não é o fim”, disse a chanfradeira Maria de Lourdes, que trabalhou na empresa por 25 anos. Lourdes deixou o prédio por volta das 14 horas, junto com outros empregados, que saíam um a um. A despedida aconteceu do lado de fora, no pátio da empresa. “Valeu a temporada juntos”. “Deus te abençoe”. “Não se esqueça de mim”. “Vou sentir saudades do churrasco às sextas-feiras”, eram as frases que os funcionários diziam aos amigos de trabalho em meio a lágrimas. Apesar de tristes, todos foram unânimes em apoiar Miguel Betarello. “Ele foi honesto. Estamos com o pagamento em dia e ele (Miguel) nos garantiu que fará os acertos da rescisão em dez dias”, disse Ricardo Alexandre Coelho, funcionário há dez anos da Agabê. O empresário não falou com a imprensa. Sua assessora, Jussara Vieira, disse que ele estava com vôo marcado para o Ceará na tarde de ontem, com saída de Ribeirão Preto, e por isso não poderia atender a reportagem. Apenas 80 funcionários que possuíam férias vencidas ou estão de licença ainda não foram demitidos. A empresa esperará que eles voltem para, então, oficializar a dispensa.

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