Crise do dólar, mão-de-obra mais capacitada, e, portanto, mais cara, além dos seguidos momentos de crise, sistêmicas no setor calçadista, são os grandes vilões. O imenso mercado americano, destino de 90% da produção francana de calçados nas décadas de 1970 e 1980, começou a minguar desde meados de 1990 e, com ele, todas as grandes empresas exportadoras da cidade.
A Agabê não foi a primeira e certamente não será a última atingida pela mesma conjuntura. Samello, que chegou a ter dívidas de R$ 90 milhões e segue tentando continuar a produzir, além da Sândalo, uma ex-gigante das exportações, foram baleadas.
Além disso, a Agabê sempre teve uma relação diferenciada com seus funcionários, pagando acima do piso. Contribuem, ainda, os vastos incentivos fiscais concedidos pelos Estados do Nordeste para a instalação de indústrias calçadistas lá. Como resultado, uma das marcas mais tradicionais de sapatos do País, nascida e criada na cidade, deixa a terra das três colinas.
Os motivos de uma possível queda não eram segredo. Miguel Betarello, dono da empresa e filho do fundador, Hugo Betarello, não omitia as dificuldades. “Estamos com problemas para manter uma produção massiva em Franca. O Nordeste é mais barato e oferece muitas vantagens”, declarou ele, em entrevista exclusiva ao Comércio em meados de novembro.
Um alento vem quando o assunto é o pagamento de salários e direitos trabalhistas. Ao contrário da Samello, outra gigante do setor que parou as atividades há mais de um ano, os salários estão em dia e o FGTS também. (Eduardo Schiavoni)
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