Vários eventos e causas naturais escapam do domínio do ser humano e retiram-lhe o controle absoluto sobre a vida e sobre o amanhã. Até onde se é dono do próprio destino? Dentro do limitado campo que nos é reservado para ter o comando, o que determina a capacidade de influir no futuro, a meu ver, é o conhecimento. ‘Só o conhecimento traz o poder’ (Sigmund Freud). Quanto maior o saber, maior a possibilidade de afastar interferências indesejadas e superar obstáculos. Como dizem, o saber não ocupa lugar. O cérebro humano é uma máquina de enorme capacidade, que, quanto mais utilizada e exercitada, melhor funciona. A entrada de novos conhecimentos não obriga à retirada dos anteriores. Assim, é essencial tê-los em abundância. Sobre atividades profissionais, sobre si mesmo, sobre a natureza humana, sobre o mundo. O saber é o maior patrimônio; ninguém pode roubar.
O indivíduo pode escolher: ser quem ele quer ou quem querem que ele seja; decidir e agir por si próprio ou movido pela vontade alheia; vencer pelos seus méritos ou ficar à mercê do acaso; ter a própria opinião, visão, compreensão das coisas ou apenas ratificar as dos outros. Em qualquer área da vida, o retorno é proporcional ao investimento. Quem mais investe, mais ganha. E o melhor investimento é o conhecimento. A estrada que leva ao conhecimento é longa, sinuosa; para percorrê-la é preciso esforço. Muitos, porém, param à beira para descansar... e ficam.
Mais tarde vão descobrir que os fracassos, as frustrações decorreram do comodismo. Não se colhe sem antes plantar.
Todo e qualquer trabalho honesto é digno. Alguns, porém, não proporcionam o ganho suficiente para suprir nem as necessidades básicas. Considerando que ninguém começa pelo topo, as profissões, ofícios, cargos menos rentáveis deveriam constituir somente uma etapa, um degrau onde se permaneceria apenas o tempo necessário à aquisição de conhecimentos para a ascensão a outros de melhor remuneração. Dizia Sócrates: ‘Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor empregado’. O acesso ao trabalho de maior ganho não é aleatório, não é uma questão de sorte. Esta ajuda, mas a sua necessidade é inversamente proporcional ao nível de saber. Quem está mais preparado depende menos dela. As atividades profissionais que dão mais, em contrapartida, exigem mais, requerem mais conhecimentos.
A pessoa sem instrução é como alguém num barco sem motor e sem remo, à deriva, no vasto oceano; vai para onde o vento levar. Ter conhecimento é estar numa embarcação com motor e leme, e maior dirigibilidade. O conhecimento é a via mais segura para o crescimento pessoal e profissional; a liberdade faz a pessoa necessária e útil; reduz a submissão à vontade e à caridade alheias; imuniza contra a manipulação; desenvolve o senso crítico, o encadeamento de idéias, a argumentação; aumenta o poder de convencimento. Influi até mesmo na qualidade de vida; conhecer a natureza do ser humano e da vida em geral é o caminho para a paz interior, a serenidade perante os infortúnios.
A pior preguiça é a mental, a aversão a mover os neurônios. É preciso ser exigente consigo mesmo, conhecer os pontos fracos e fortalecê-los, desenvolver habilidades, criar o hábito de fazer bem feito, lutar contra o comodismo, instruir-se, aprender sempre, qualificar-se. Em vez de entupir o corpo com comida em excesso e a mente com informações inúteis, é melhor acumular conhecimento. O número de vilões é proporcional à quantidade de ingênuos. Onde abundam os otários é que proliferam os salafrários. A vida é um barco; o naufrágio pode ser evitado se todos fizerem a sua parte.
PAULO PEREIRA DA COSTA é promotor de Justiça e autor do livro Pensando na Vida - E-mail: paulopereiracosta@uol.com.br
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