O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento determinou que todos os Estados façam a fiscalização para verificar a saúde do rebanho bovino brasileiro. Em São Paulo, a Secretaria da Agricultura sorteou para passarem por vistoria 95 propriedades que trabalham com exportação ou estão aptas a exportar carne bovina. Na região, foram selecionadas as fazendas Lagoa Azul, em Restinga, e Premix, em Patrocínio Paulista. A fiscalização é feita anualmente, mas foi adiantada depois que a União Européia embargou a carne brasileira. (Leia mais ao lado). A idéia é, depois de concluída a fiscalização, elaborar um relatório declarando o gado produzido e criado no Estado livre de doenças.
O documento será, então, encaminhado ao Ministério e, posteriormente, enviado à UE.
O diretor do EDA (Escritório de Defesa Agropecuária), Antônio Victor de Oliveira, disse que o trabalho será feito entre os dias 10 e 11 de fevereiro. “Montamos cinco equipes com dois profissionais cada. Elas vão percorrer as propriedades e realizar a coleta do sangue dos animais, que será analisado. Vamos verificar se há a presença de vírus da febre aftosa e de outras doenças que possam prejudicar a saúde dos animais e, consequentemente, a qualidade da carne”.
Tanto na Fazenda Lagoa Azul, em Restinga, quanto na Premix, em Patrocínio Paulista, serão coletadas amostras de aproximadamente 80 animais, com idades entre 6 e 12 meses. “Eles foram escolhidos por serem jovens. Como, nessa idade, receberam apenas uma dose da vacina contra a febre aftosa não estão tão protegidos do vírus”.
As duas fazendas estão cadastradas no Sisbov (Sistema Brasileiro de Intensificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina), que coordena propriedades com alto grau de tecnologia em controle e rastreamento de animais.
PROTEÇÃO
O zootecnista Lauriston Bertelli Fernandes, responsável pela Fazenda Premix, em Patrocínio, não está preocupado com a fiscalização. A propriedade tem entre seus clientes, frigoríficos que exportam para diversos países. “Esse tipo de pesquisa devia ser mais intensa. Nós precisamos aumentar a nossa credibilidade, especialmente perante a comunidade européia, que não compra mais a nossa carne”, disse. O proprietário da fazenda Lagoa Azul não foi encontrado para comentar o assunto.
Caso seja constatada alguma irregularidade, o Estado será declarado área de risco, ficando proibido de comercializar carne com mercados externos. Em compensação, segundo Antônio Vítor, do EDA, se nada de anormal for encontrado, o relatório da fiscalização será uma “arma” a mais para o Brasil. “Servirá para mostrarmos que estamos trabalhando e que nossos animais são vistoriados. Não temos problemas. Para se ter uma idéia, não registramos nenhum caso de febre aftosa há 14 anos no Estado de São Paulo”.
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