Sem contagem dos votos e com o pleito anulado. Assim terminou, na tarde de ontem, a eleição do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Franca. O processo, que durou três dias, não atingiu o quórum necessário de votos válidos - de 50% dos servidores associados, mais um. No horário marcado para apuração, às 18h30, a comissão eleitoral reuniu servidores no salão do Sindicato, informou a anulação e, ao mesmo tempo, anunciou uma nova eleição para os dias 6,7 e 8 de fevereiro.
Atual presidente do Sindicato e único candidato válido, José Nhozinho Ramos, o “Paraná”, atribuiu a falta de quórum às chuvas, ao recesso dos servidores da Educação e ao que chamou de “boicote da oposição”. “Muitos servidores ficaram chateados e até com medo de votar”, explicou.
Anular o pleito, porém, não significa derrota para Paraná. Independente do resultado da próxima eleição, ele já tem garantido mais quatro anos à frente do Sindicato. Um edital publicado pela entidade previa que, em caso de segunda convocação, a eleição daria a vitória à chapa mais votada independente do número de votantes. Como Paraná é candidato único, ainda que tenha só um voto, ganha, pois não há concorrente.
A única chance para a oposição é cancelar a eleição, o que está sendo tentado na Justiça. A oposição quer provar que houve fraude em assembléia que aprovou a ampliação do sindicato às cidades de Cristais Paulista, Itirapuã, Ribeirão Corrente e Pedregulho (a chamada extensão de base). O fiscal sanitário André Szabo - que até um dia antes do início da eleição tinha sua chapa inscrita no pleito - ficou fora da disputa após a juíza do trabalho Andreia Alves de Oliveira Gomide cancelar a liminar que anulava a ampliação da área de atuação do Sindicato.
Sem liminar, a chapa de Szabo foi impedida de participar porque não tinha inscrito membros das cidades da região. “Vamos questionar essa decisão no Tribunal em Campinas, demonstrar que houve equívoco na interpretação da juíza. Não temos pressa. Essa eleição pode ser cancelada daqui a alguns meses”.
ENCONTRO TRANQÜILO
Ao contrário do clima tenso da eleição e de uma guerra de boletins de ocorrência, o encontro na tarde de ontem ocorreu sem discussões. Simpatizantes da situação eram a maioria no salão, mas a oposição também acompanhou. Alguns membros ficaram do lado de fora para evitar confusões e vibraram com a falta de quórum. “Considero esse resultado uma vitória dos servidores públicos. Isso demonstra que, se nós tivéssemos ido para a disputa, sairíamos vencedores”, disse André Szabo.
O adversário de Paraná lamentou o fato de não haver contagem de votos. “Gostaríamos de ver quantos servidores votaram a favor, quantos anularam o voto. Acredito que não fizeram isso para não mostrar o número real de servidores que apoiam a chapa 1. Perceberam a manifestação dos servidores e temeram”.
José Antônio Castro, presidente da Comissão Eleitoral, explicou que não havia por quê ficar horas contando as cédulas. “Se não houve quórum a eleição é cancelada e uma nova realizada. Já era previsto isso. Não há motivos para contar”.
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