Conto o milagre, mas não conto o santo. Está na internet: “Vai transar? O governo dá camisinha. Já transou? O governo dá pílula. Engravidou? O governo dá o aborto. Teve filho? O governo dá o Bolsa Família. Está desempregado? O governo dá Bolsa Desemprego. Vai prestar vestibular? O governo dá o Bolsa Cota. Não tem terra? O governo dá o Bolsa Invasão”.
Isso dever ser mais uma daquelas iniciativas da mídia golpista, da elite branca e da oposição revanchista que não se conforma com o operário presidente. Fato ou boato, o que importa é que agora a mais nova faceta do nosso presidente vem laqueada pelo verniz da experiência. Experiente que é, Lula resolveu que além de governar o País, dará conselhos ao alvorecer em seu programa de rádio.
Sem descer do palanque há anos, o mestre dos mestres tenta aconselhar seu rebanho acerca de temas do cotidiano. Exerce, pois, a função de guru da auto-ajuda e custa aos cofres públicos um número bem grande de garoupas. Um dos conselhos teve como destino os já cansados ouvidos dos aposentados. A eles Lula pediu cautela no uso do cartão de crédito consignado e, com uma sabedoria inconfundível, registrou: “é muito fácil gastar quando não se tem que tirar uma nota do bolso”. Sábio Lula. Pena que seu conselho não sirva também para alguns de seus ministros, que pelo visto não têm tido a mesma cautela na hora de sacar o cartão de crédito pago pelos cofres da velha viúva.
O outro conselho foi para os amantes da festa de Momo. Experiente que é, a estes, Lula pediu cautela durante o feriado do confete e da serpentina, principalmente nas estradas. Mais uma vez sábias palavras. Nosso guia esqueceu-se apenas de dizer cuidado com quê.
Caso não saiba, ficam aqui algumas dicas: cuidado com os buracos, com as pontes caídas, com a falta de sinalização, com o degrau e o mato dos acostamentos, com os assaltos e porque não dizer, com os piquetes do MST.
E por falar em Carnaval, ele chegou, e com ele a comitiva de deputados e senadores vindos do pólo sul depois de um longo período de férias forçadas. Impedido de voltar ao seco clima do planalto central, o porta-voz do grupo, o supervotado senador Renato Casagrande disse que o mais difícil foi a falta de ter o que fazer.
Veja só que como as coisas são; o senador preocupado por não ter o que fazer e a gente aqui sem sentir a menor falta do que ele faz. Esse mundo é mesmo repleto de incoerências. Isso me fez lembrar da história da mulher que contou para a amiga que o marido era marinheiro e que passava 11 meses em alto mar e apenas trinta dias em terra firme. A amiga, escandalizada, questiona: “meu Deus, e como você agüenta?”. Não é fácil, respondeu a outra. Minha sorte é que ele sempre fica uns 15 dias na casa da minha sogra.
ALEXANDRE HENRIQUE LEONEL é farmacêutico e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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