Justiça manda botar Adriana Telini atrás das grades


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Após ser presa, Adriana Tellini, que sai do camburão, foi levada à DIG, ofendeu repórteres e terminou a noite em cana
Após ser presa, Adriana Tellini, que sai do camburão, foi levada à DIG, ofendeu repórteres e terminou a noite em cana
A advogada Adriana Telini Pedro foi presa ontem à tarde pela Polícia Civil de Franca. A prisão foi decretada pela Justiça com base em informações apuradas pelos policiais da DIG que comprovariam o envolvimento dela com o roubo de R$ 120 mil em jóias ocorrido há dez dias diante do escritório em que trabalha. Telini passou a noite atrás das grades na cadeia de Batatais. Ela responderá por formação de quadrilha e co-autoria em tentativa de latrocínio. Uma das vítimas foi baleada durante o assalto. A advogada se complicou novamente por causa de um telefone celular. Seu noivo e sua secretária também foram presos. Não foi a primeira vez que a Polícia tentou prender Adriana Telini. Há dois anos, ela foi flagrada em escutas telefônicas combinando assaltos contra um casal de clientes com bandidos ligados ao PCC. Apesar da gravidade dos fatos e do teor das provas, os pedidos anteriores de prisão ainda não foram apreciados pela Justiça. A advogada vinha trabalhando normalmente em seu amplo escritório, localizado na Rua Marechal Deodoro, Centro de Franca. Foi em seu escritório que Adriana Telini recebeu um casal de vendedores de jóias no dia 21 de janeiro. Havia ligado três vezes antes, ansiosa para ver os artigos em ouro. Não comprou nada. Encomendou um par de alianças no valor de R$ 1.360. O noivo da advogada, Luciano dos Santos Gonçalves, 31, e a secretária dela, Bruna Cristina de Matos, 19, acompanharam a negociação. O casal deixou o escritório e foi assaltado segundos depois por dois homens em uma moto. A motocicleta havia sido roubada na noite anterior e foi uma das peças que ajudaram a equipe da DIG a montar o quebra-cabeça e esclarecer o roubo aos vendedores de jóias. “Recebemos uma informação de que um indivíduo conhecido por Robinho seria a pessoa que teria roubado a moto. Ao ver sua foto, o proprietário do veículo o reconheceu na hora. Ele também foi apontado pelo casal como um dos homens que roubou as jóias”, contou o delegado Márcio Garcia Murari, responsável pelo esclarecimento do caso. [FOTO2] Robinho e um comparsa haviam sido detidos dias antes pela PM com uma arma de fogo. Não ficou preso, mas teve o seu celular recolhido. Após descobrir que ele estava envolvido nos dois roubos, a equipe da DIG resolveu periciar o celular. “Haviam várias mensagens enviadas por Adriana Telini para o aparelho. Em uma delas, a advogada falava sobre uma casa que ele deveria alugar no centro para facilitar as coisas. Acredito que o imóvel seria um lugar para eles se esconderem após o roubo”, disse Murari. As mensagens no celular, somadas ao depoimento de uma testemunha que avistou os dois homens com a moto diante do escritório da advogada antes da chegada dos vendedores de jóias, formou a convicção da Polícia de que Adriana Telini teria planejado o assalto. “Juntamente com o noivo, ela organizou o plano e atraiu as vítimas para seu escritório. Durante a negociação, Luciano recebeu uma ligação e disse que estava vendo as jóias e que logo a vendedora sairia. Era a senha para que os comparsas ficassem atentos e atacassem o casal na saída”, disse o delegado. Com base nos dados apurados, o delegado pediu a prisão de Adriana Telini, da secretária e do noivo dela. A solicitação deu entrada no Fórum de Franca quarta-feira à tarde. No mesmo dia, uma equipe de investigadores se antecipou e seguiu para Campinas, onde mora Luciano, e ficaram atentos a seus passos. No início da tarde de ontem, o juiz Marcelo Augusto de Morais, da 1ª Vara Criminal, expediu um mandado de prisão temporária válido por cinco dias contra o trio. Na mesma hora, o delegado Márcio Murari e outra equipe de investigadores, foram para o escritório de Adriana Telini com a ordem judicial nas mãos. “Ela se assustou e não acreditou que sua prisão havia sido decretada. A funcionária dela, que também foi presa, começou a chorar”, disse Murari. Eram 16 horas. Numa ação simultânea, a equipe que estava em Campinas prendia Luciano. Outro grupo seguiu para o endereço de Robinho, mas ele não foi encontrado. Adriana Telini pediu que seu advogado, Rui Engrácia Garcia, fosse chamado. Não só ele, como outros advogados chegaram ao escritório. Tentaram convencer a Polícia a deixar Adriana Telini sair pelos fundos para driblar a imprensa. Não houve acordo. Às 16h45, ela saiu pela porta da frente e entrou no camburão da DIG. Teve o cuidado de jogar uma blusa sobre os braços para esconder o par de algemas. Durante o tempo em que ficou na delegacia, foi acompanhada por seis advogados, entre eles, o vice-presidente da OAB, Ivam da Cunha Souza. Às 19h15, saiu do prédio da DIG e foi levada para a cadeia. Ao entrar na viatura, estava chorando.

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