Continua a mesma! A sociedade moderna perdeu a faculdade de observar a si mesma enquanto age e de formular um juízo sobre a moralidade da ação que faz, está fazendo ou está por fazer. Isso é o que diz parte do capítulo sobre moralidade de uma pequena enciclopédia de moral e civismo de 1975, de autoria do Padre Bastos de Ávila, SJ. Como praticamente tudo, as lições caíram em desuso, perdendo prática e sentido.
Durkheim, um eminente sociólogo da modernidade, afirma que o crime não deve ser visto como anormal pelo fato de estar impregnado nas diversas culturas, e por isso, é muito difícil acabar com ele, enraizado que está nas similitudes encontradas entre comportamentos que demonstram que a humanidade continua a mesma!
A exemplo de Israel, no momento em que se organizava como sociedade fraterna e livre, deixou de observar a si mesma, perdeu sua consciência moral e abandonou aquele que deveria ser seu governo. Deus ouviu seu grito enquanto escravo no Egito e prometeu uma liberdade jamais vista sob sua lei e aliança. Não contente com isso, Israel quis ser igual aos outros povos e decidiu por reis para governá-lo, dando origem a infidelidades, crimes e castigos. Transformados em escravos, aqueles que eram livres viram ir para o ralo a sociedade livre e fraterna.
Moisés, diferente, observava a si mesmo e a sociedade do seu tempo. De alta consciência moral, conduz o povo, de novo, ao encontro da promessa, rumo à terra onde corria leite e mel. Lá, iniciaria uma nova sociedade inspirada no ideal divino.
Preocupado em perpetuar os benefícios recebidos, esse povo
escolhido decide por institucionalizar em um conjunto de leis, estruturas políticas e práticas econômicas, o projeto da nascitura sociedade fraterna. Leis sociais foram criadas assim como o ano sabático, em que seriam perdoadas aos pobres suas dívidas e escravos libertos; e o ano jubilar, no qual as terras deveriam retornar a seus antigos donos. Dá para que imaginemos na atual conjuntura, uma PEC paralela estabelecendo o ano Jubilar e o Ano Sabático no Brasil? Será que passaria no Congresso?
Mas, voltando. Era preciso olhar para a história com olhos de profeta e ouvidos de discípulo e buscar resgatar a consciência moral da sociedade. Foram ousados. Muitos perderam suas vidas ao denunciarem os males que impedem o exercício pleno da cidadania.
Esses profetas certamente existem hoje nos movimentos sociais e nas entidades filantrópicas, ocupadas em denunciar a corrupção e as injustiças sofridas.
Formam eles um contingente que nada teme, nem mesmo CPIs, cujas cabeças desocupadas se lançam ao julgamento de casos que deveriam ser de competência policial e não política.
Machado de Assis diz através do alter ego Brás Cubas, em Memórias, que o “vicio é muitas vezes o estrume da virtude” o que não pode impedir que “a virtude seja uma flor cheirosa e sã”. Fazendo transposição sem traumas da literatura para a política, a corrupção redesenhada de estrume jamais poderá impedir a política de florescer com o vigor necessário para a volta da sociedade ao modelo inicial criado por Deus.
FRUTO PODRE, ÁRVORE BICHADA!
A ação se realiza a partir do pensamento. Pensou, realizou. E isso é um passo! Um vereador, espertamente, antes que fosse denunciado, denunciou a si próprio, e por isso foi indultado. As cobranças ao Ministério Público são fundamentadas à medida que sua eficiência comprovada possa ser mais esperta que a esperteza chegando primeiro. As intenções são tão boas que delas os demônios se fartam. Esta foi a melhor definição que hoje encontrei para os corruptos dos municípios à União. Vocês fracassaram! Estão administrando o que é podre, deixando para as gerações futuras o legado infame de uma geração de covardes.
PAUSA PARA O CAFÉ!
Que pausa que nada! Não dá pra fazer pausa nenhuma diante dessas constatações. O Senado foi contemplado no orçamento da União, no exercício de 2007, com a quantiazinha de R$ 2,6 bilhões. Oitenta e um senadores estão compondo essa cena que necessita de um aporte consideravelmente inchado. Tudo isso junto perfaz um custo ao nosso bolso roto no valor de R$33 milhões para cada um, considerado o mais elevado do mundo. Um sistema unicameral poderia ser a solução, mas ainda assim representaria o custo mais alto do mundo. Os dados são da Ong Transparência Brasil, mas o gosto do café é meu... Café com gosto de arrependimento, acompanhado de sequilinhos adoçados com gotas de amargura da marca ‘eu também votei’.
PROCURA-SE: MEIO IMPOSTOR!
Aprendemos no catecismo da Igreja Católica que não existe meio pecado. Pecado é pecado e ponto final. Logo, não existe meia corrupção nem meias intenções e, principalmente, pessoas meio honestas e nem meio corruptas. Conta o Midrash Ribest TovII que o escritor Mezeritzer afirma que o “pior impulso é o meio impulso, porque ambivalente” igual a “aquele que vivencia qualquer atividade na vida, pela metade”. A exemplo: metade da honestidade é como se estivesse meio dormindo. Dormindo, hein?
FALANDO SÉRIO!
“O pior exílio é o exílio da paz de espírito. Este é o exílio sofrido por aqueles que são subjugados por seus desejos, mesmo sabendo que são fraquezas”. (Daver Shalom)
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