A magia do circo


| Tempo de leitura: 3 min
O presidente da Império da Vila Formosa, o encanador Jairo Alberto Fagundes, 42, observa orgulhoso o ensaio da escola na praça do bairro. Entrar na avenida com 250 componentes é um sonho realizado. Há 15 anos Jairo mudou-se de São Paulo para Pedregulho e depois veio parar em Franca. Seu sonho de fundar uma escola de samba para representar a maior festa popular do País se uniu ao de outros moradores e ao da auxiliar de serviços gerais, Meire Sílvia Leocádio, 55, que na época desfilava para a Unidos da Cidade Nova. Juntos, em 1988 criaram a Império da Vila Formosa. Este ano, assim como na novela Duas Caras, onde a escola Nascidos da Portelinha vai retratar o mundo do circo brasileiro, a escola abordará na avenida o circo tradicional, da época dos nossos pais. “No circo antigamente tinha o leão, o mágico, o tigre, a foca e vários animais. Queremos resgatar as brincadeiras antigas”, disse Fagundes. A escola, vice-campeã no ano passado, coleciona alguns títulos: quatro vezes campeã, sendo a última em 2004 e três vezes vice-campeã. A preocupação do presidente é agradar ao público, por isso as fantasias são feitas com bastante detalhes. Disso a costureira Aparecida D’Janira Evaristo, a Tatinha, 66, entende muito bem. Ela confecciona as fantasias dos integrantes desde a fundação. E se recorda da primeira vez que desfilou na avenida. “O Jairo (presidente) me pediu para desfilar na ala das baianas para completar o número de componentes. Quando meu marido autorizou eu senti uma emoção forte e pisar na avenida foi inesquecível”, recorda. De lá para cá Tatinha não parou mais. Este ano duas sobrinhas vão acompanhá-la na passarela. A escola, que não conta com barracão, teve pouco tempo para ensaiar. A chuva dos últimos dias impediu o encontro dos componentes na praça do bairro Vila Formosa. Na noite de quarta-feira a equipe do Comércio acompanhou um dos poucos ensaios. Mesmo com os contratempos, todos estão com o samba-enredo na ponta da língua. O compositor Marcelo Dutra e os puxadores Thiago Lucas Mendes, Nilo, Doidinho e Douglas participaram dos ensaios, com direito a microfone e tudo mais. Hoje será o último dia de ensaio. Amanhã os cantores descansam e cuidam da voz. Há sete anos o representante comercial Paulo Hipólito, 26, comanda a bateria da Império, que tem 70 ritmistas. Ele começou tocando tamborim aos 16 anos. Paulinho, como é conhecido, é exigente. Quando precisa, ele grita para afinar o som. À equipe de reportagem, fez questão de ressaltar que por cinco vezes a bateria ganhou nota 10. E o batuque não deixa ninguém parado. Meire, uma das fundadoras da escola, recatada durante o ensaio, na hora de fazer uma pose para as lentes do fotógrafo Marcos Limonti, com a ajudinha da bateria, caiu no samba. A porta-bandeira, Jéssica Tamiris Silva, 20, ocupa o cargo há cinco anos e mostra que tem estilo. O sapateiro e mestre-sala Vinícius Muller Dutra, 21, desfila na escola desde os 7 anos de idade e nem pensa em desfilar nas grandes escolas da capital. Outro destaque é a Comissão de Frente, que está sendo ensaiada pela coreógrafa e atriz Rita de Cássia Lemes. Os 12 componentes entrarão caracterizados de palhaços, que são a alma do circo. PÉROLA NEGRA Durante três semanas o jornal Comércio da Franca tentou falar com o presidente da escola Pérola Negra, Maurício Fernandes das Neves. Foram feitas mais de 20 tentativas pela reportagem. Não houve retorno. Assim, a Pérola Negra foi a única escola que não foi assunto no Caderno Artes nos últimos dias.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários