No intervalo de um ano, a dona de casa Cleunice Araújo, 67, sofreu dois derrames. Em outubro de 2006, ficou com o lado direito do corpo comprometido, não conseguia falar, tremia e só andava apoiada em alguém. Em junho de 2007, teve outro, mas, desta vez, as seqüelas foram mais sérias. Há sete meses, Cleunice vive deitada numa cama, sem falar, andar nem se alimentar sozinha. Por ficar deitada na mesma posição e em colchão comum, está com feridas na pele. A família pede ajuda para ter um colchão apropriado e suprir outras necessidades.
Cleunice tem diabetes, osteoporose e pressão alta. Não enxerga do olho esquerdo e só vê manchas com o direito. É totalmente dependente. A dona de casa teve 18 filhos, mas apenas duas moram em Franca; os demais no Nordeste. Uma das filhas francanas tem problemas de saúde e três filhos pequenos e não tem como ajudar a mãe. A outra, a dona de casa Débora Araújo Silva, 43, mora com Cleunice e assumiu as responsabilidades de cuidar dela.
Débora tem dificuldades financeiras para comprar tudo de que a mãe precisa. “Muita gente já falou para eu colocar minha mãe no asilo, mas não vou fazer isso. Enquanto Deus me der forças, vou cuidar dela. O que perturba é faltar as coisas para ela porque não damos conta de comprar”, disse.
O marido de Cleunice, o pedreiro João Batista, 73, é aposentado e recebe R$ 380 por mês. O dinheiro é usado para comprar alimentos, pagar energia, água e telefone. Só com fraldas descartáveis para a mulher, ele gasta R$ 106 por mês. “Ela usa três por dia quando a barriga está boa. O pacote da mais barata, que vem com 26 fraldas, custa R$ 28,50”, disse a filha.
Débora, o marido e três filhos moram no mesmo terreno dos pais, na casa da frente, mas apenas dois deles estão empregados. Débora faz bicos como faxineira quando possível. “Não posso trabalhar fora. Minha mãe não pode ficar sozinha. Eu cuido da casa também”.
Com ajuda de uma advogada, a família tenta conseguir benefício para Cleunice no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), mas enquanto o processo não termina, o marido e os filhos da dona de casa vivem com improvisos.
A pomada para as assaduras no corpo custa R$ 5, a embalagem pequena, e tem de ser aplicada três vezes ao dia. Nem sempre há dinheiro para isso. “Tenho de cuidar para não virar feridas. Passo babosa que temos plantada no quintal. Se tivéssemos um colchão de caixa de ovo ou d’água, ela teria menos feridas”. Cleunice só fica deitada de costas e com os braços abertos. “Antes, conseguíamos mudar a posição dela, hoje não. É do mesmo jeito o tempo todo”.
A paciente se movimenta muito pouco. Débora faz alguns exercícios nas pernas, braços, mãos e pés, mas o ideal seria ter sessões de fisioterapia. “Minha mãe é pesada (80 quilos) e é difícil quando temos de transportá-la. Se conseguíssemos alguma fisioterapeuta voluntária para atender em casa seria muito bom”. A família não tem carro e depende de ambulância quando saem com a dona de casa.
TENTATIVAS EM VÃO
Em uma loja especializada de Franca, o colchão de caixa de ovo custa R$ 50 e o colchão d’água R$ 80. O marido de Cleunice havia encontrado os produtos por R$ 60 e R$ 170, respectivamente, mas disse que, mesmo sendo mais baratos, não tem dinheiro para comprar.
Ele e a filha Débora tentaram ganhar fraldas descartáveis e colchão na Secretaria da Saúde e de vereadores. “Pedimos, mas a ajuda não chega”, disse João Batista.
Cleunice precisa de fraldas descartáveis de adulto (tama-nho GG ou extra G) e do colchão apropriado. Doações podem ser feitas na Rua José Antônio Miron Sanches, 1352, Jardim Aeroporto II
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