Feitiço contra a Feiticeira


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Antigos diziam: ‘De gustibus et coloribus non est disputandum’ – Gostos e cores não se discutem. Recentemente se tornou lugar comum dizer que política, religião e futebol não se discutem. A razão disso é que ninguém consegue convencer o outro de que ele está errado. Por essa razão toquei muito pouco sobre futebol nessa coluna, principalmente evitando escrever sobre a nossa gloriosa Francana para não ter que responder um sem-número de e-mails dos que irão discordar. Não escondo de ninguém a paixão por futebol. Mesmo dos elitistas que consideram o esporte alienante e culturalmente sem valor. Por essa razão, estava otimista na semana passada e aguardando a estréia da Francana na Série A-3, contra a União Barbarense. Afinal, uma pré-temporada em Atibaia, treinando em bons campos de futebol, à disposição moderna academia, piscinas e um hotel confortável e ainda realizando amistosos contra Palmeiras e Atlético Mineiro – situação nem sempre comum para times do interior – acendia a esperança de uma vitória convincente. Ciclotímicos que somos, passamos do otimismo mais selvagem ao mais sombrio pessimismo no final da partida. E isso só porque empatamos em 1 x 1. Durante o jogo, bem que a Francana tentou atacar. Fez 1 x 0, perdeu algumas oportunidades e depois jogou como um boxeador que, certo da vitória por pontos, desiste de buscar o nocaute. Por isso perdeu dois pontos preciosos em casa ao sofrer o empate num gol “espírita”. À exceção de Elivélton e um ou dois jogadores, a Feiticeira mostrou-se um time limitado tecnicamente. Setor defensivo desentrosado, meio-campo confuso, embolado e ataque inoperante, onde o centroavante Milton fez jus ao apelido de artilheiro sem gols e foi vaiado pela torcida depois de desperdiçar pelo menos duas oportunidades claras. No final da partida, o treinador da Francana, Wantuil Rodrigues, mostrou-se otimista e garantiu, para desespero dos esmeraldinos, que Milton é craque e vai continuar no comando do ataque. A diretoria da Francana parece que não concorda, trouxe Hudson de volta e sonha com Sorato ou Macedo para o ataque, setor preocupante do time. Podem me chamar de pessimista ou o que queiram, mas eu não consigo ficar tão otimista quanto Wantuil. Faz-me lembrar o campeonato do ano passado, quando a Francana escapou do rebaixamento na última partida. E que sufoco! Com muita chuva, campo esburacado e um jogo ruim, o melhor aconteceu na saída do Lanchão. Um garoto, segurando a mão do pai, inconformado com o empate, exclamou: ‘A Francana não tem jeito, será que fizeram feitiço contra ela?’. Pensei com meus botões. Faltava essa. Feitiço contra a Feiticeira.

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