Quando o assunto é negócios com o mercado internacional, dez empresas da cidade se destacam. Juntas, elas representam 60% de tudo o que é produzido em Franca e vendido para outros países. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) em uma lista com os 40 maiores exportadores da cidade.
O setor coureiro-calçadista continua dominando as exportações. Das dez maiores empresas em volume de negócios internacionais, nove são curtumes ou fábricas de calçados ou de componentes.
Apenas a Marubeni Colorado, especializada na comercialização de café, é citada. O dado é um reflexo da economia da cidade, que, apesar de na última década ter iniciado uma diversificação de seu parque fabril, ainda tem sua indústria centrada na área coureiro-calçadista, que domina mais de 90% das 5.421 fábricas francanas.
A campeã em negócios com empresas de outros países é a BMZ Couros, que conta com uma filial instalada em Franca desde 2004.
A empresa, cuja sede fica em Campo Grande (MS), trabalha com o processamento de couro. Sua produção é comercializada com empresas automobilísticas e usada para o revestimento de bancos de carros.
Em 2007, a BMZ de Franca viu suas exportações crescerem 51,26% em relação ao ano anterior. Sozinha, ela representa 16,26% de todo o valor exportado pela capital do calçado. Foram US$ 36,9 milhões contra US$ 24,4 milhões em 2006.
Além da BMZ, aparecem ainda na lista dos 40 maiores exportadores o curtume Della Torre, com a terceira maior vendagem da cidade; Couroquímica (15ª), Padrão Beneficiamento e Comércio de Couro (17ª) e o curtume Belafranca (19ª).
Entre os calçadistas, a Democrata Calçados continua sendo a empresa francana que mais vende para o exterior, embora tenha perdido a primeira colocação no ranking (está em 2º). O valor vendido caiu 18,84%, passando de US$ 27,9 milhões em 2006 para US$ 22,7 milhões em 2007. A Democrata foi procurada para comentar os números, mas até o fechamento desta edição não havia dado resposta.
Na seqüência, aparecem entre as dez maiores exportadoras, a Kissol, Mariner (que teve queda de 20,64%), Agabê, Karlitos e Estival. Com exceção da Mariner e da Democrata, todas as outras apresentaram crescimento no valor de vendas externas. O maior aumento foi o da Agabê, que saltou de US$ 6,5 milhões em 2006 para US$ 8,36 em 2007.
O motivo, explica o gerente de Marketing da empresa, André Rodrigues, foi a percepção de que o mercado estava mudando. “Hoje em dia a gente consegue, com a marca Betarello, vender produtos para a Europa e para o Oriente Médio, fugindo um pouco do mercado americano.”
GANHANDO ESPAÇO
Outra curiosidade revelada pelo estudo do Ministério da Indústria é que a representatividade da venda de couro para o mercado internacional cresceu. Pulou de 21,25% em 2006 para 31,88% das exportações da cidade. Como em matéria de economia quando alguém ganha outro tem de perder, quem encolheu foi a comercialização de calçados acabados, que em 2006 representava 56,66% da pauta de exportação e hoje não ultrapassa 52,51%.
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