A disputa pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Franca, entidade que representa mais de 3,7 mil profissionais e gera uma receita anual de aproximadamente R$ 220 mil, começou quente. A votação começou ontem, após uma guerra de liminares. A eleição, que teria duas chapas - uma encabeçada pelo atual presidente, José Nhozinho Sales Ramos, o “Paraná”, e outra pelo fiscal sanitário André Szabo - ficou reduzida a apenas um concorrente: Paraná.
Para garantir mais três anos à frente da entidade, Paraná conseguiu, por meio dos seus advogados, antecipar uma audiência que estava programada para 18 de fevereiro e obteve a primeira vitória: impugnou a chapa da oposição um dia antes do início da eleição. Na decisão judicial, ele derrubou uma liminar que cancelava a extensão da base de atuação do Sindicato para quatro cidades da região. Assim, só têm direito a concorrer chapas que tenham ao menos três membros de cada uma das cidades. Como a de Szabo não tem, Paraná concorre sozinho.
A vitória do sindicalista, porém, não é dada como certa. André Szabo quer o cargo e promete recorrer à Justiça para conquistar o direito de participar do pleito ou mesmo cancelar a eleição.
Ainda ontem, membros da chapa de Szabo saíram a campo na tentativa de convencer servidores a não votar. A ação, se tiver sucesso, pode anular a eleição, já que Paraná precisa atingir o quórum, que é de aproximadamente 700 votos. A atitude dos adversários teve reação imediata na chapa da situação, que registrou boletins de ocorrência de preservação de direitos.
Entretanto, o clima quente não é de agora. Nos últimos meses, Paraná e Szabo têm mobilizado seus militantes com dois objetivos: conquistar votos e levantar fatos que derrubem o adversário.
Szabo conseguiu alguns trunfos, como o escândalo da duplicidade de salários do rival e as denúncias de fraude nas assembléias da entidade (veja mais no quadro). Paraná, por sua vez, sustenta que Szabo não tem base nas cidades da região, que integram o sindicato, o que o torna inelegível. Reforça ainda que os servidores nem sequer conhecem seu adversário.
O CARGO
Em meio ao fogo cruzado, fica evidente que o cargo é cobiçado. Oficialmente, os dois candidatos sustentam que são movidos por idealismo, espírito de grupo, justiça e vontade de melhorar as coisas para a categoria. Mas ser presidente, vice e diretor do sindicato traz regalias e oportunidades que vão muito além do status e do idealismo.
Primeiro, há o fato deles continuarem recebendo seus salários da Prefeitura sem trabalhar em seus postos. Além disso, a receita do Sindicato é atraente. Em valores oficiais, nos quatro anos de presidência, Paraná administrou recursos de quase R$ 900 mil vindos das mensalidades, dos repasses patronais e do cartão de crédito dos servidores.
Ele não confirma os valores, mas diz ter conseguido com o orçamento do Sindicato a compra da sede própria, na área central, que atualmente passa por reforma e será entregue no segundo semestre. Disse ainda que conquistou várias parcerias e convênios, como por exemplo, a Colônia de Férias para os associados.
Szabo, por sua vez, alega que o Sindicato em nada evoluiu. “Hoje com a arrecadação mensal do Sindicato não é dada uma devolutiva. Não sentimos um reflexo, não tem dentista, por exemplo. Temos advogado, corte de cabelo gratuito e um cartão de crédito que se consegue em qualquer loja de grande porte”.
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