Uma recente reportagem deste Comércio mostrou a escassez de áreas disponíveis para novos loteamentos em Franca. Isso, com preços acessíveis à população de baixa renda, uma vez que existem ainda várias glebas entravadas por várias partes da cidade, com valores de mercado nas alturas.
Somente a Zona Oeste oferece possibilidades para parcelamento de solo, a custo razoável. Por isso surgiu o Jardim Pulicano, logo após o córrego do Engenho Queimado, deixando para trás enorme espaço, ainda não loteado, certamente aguardando valorização.
Pelo que se depreende dos editais de novos loteamentos, a Prefeitura não cuida diretamente do planejamento de expansão urbana. O serviço fica na responsabilidade do loteador, que pode até ter boa vontade, mas por economia não contrata pessoal capacitado para gerenciar a exploração do solo. Além disso, o serviço público parece não exercer fiscalização a contento sobre obras que vão surgindo de maneira amadora.
Esse fato ficou comprovado nas adjacências do Jardim Pulicano. Para que fosse aberta uma avenida marginal à Rodovia Nelson Nogueira, que liga Franca a Ribeirão Corrente, via Fundão, muita terra foi retirada do local inadequadamente. Bastou chover um pouco mais no ano passado, para que o excesso de enxurrada comprometesse a ponte localizada no final da Rua Francisco Marques. A falta de fiscalização especializada gerou gastos para a Prefeitura. Foi preciso restaurar a ponte avariada e a cada chuva torna-se necessário remover o barro acumulado na pista.
Caso contrário, o local não oferece condições de trânsito a veículos e pedestres.
E, de repente, não mais que de repente, do solo inóspito fez-se uma rua, como diria, em parte, Vinícius de Moraes. Pois o Residencial Palermo recebeu aval da Prefeitura. (I)responsáveis pelos serviços começaram a retirar caminhões de terra da cabeceira da área a ser urbanizada. Incrível! Esse serviço conseguiu inundar de barro a terceira rotatória, construída no topo da rodovia, pelos loteadores do Jardim Pulicano. Juntaram forças para sanar o problema e acabaram com o acostamento da vicinal, já que a cada chuva se transforma em pura cratera. De nada adianta os reparos feitos periodicamente. A terra acaba sempre indo parar na ponte, atrapalhando o tráfego.
Para complicar de vez, deram início agora à terraplenagem da segunda parte do Residencial Palermo. Um bambuzal já foi retirado parcialmente do local. Oito jabuticabeiras estão bem no meio de uma nova rua, prontas para serem arrancadas. Até uma criança é capaz de ver que o serviço, do jeito em que está sendo feito, vai gerar o quarto ponto de alagamento em Franca. Só a fiscalização municipal não percebe isso.
ANTÔNIO ARAÚJO é professor. E-mail: tonin.palavras@uol.com.br
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