O vereador Nirley de Souza (DEM) afirma que sua ex-assessora Márcia Pessoni o denunciou ao MP (Ministério Público) por vingança. Na defesa apresentada ontem ao Conselho de Ética, que apura casos de divisão de salários na Câmara, disse que sua demissão e uma subsequente derrota na Justiça do Trabalho levaram Márcia a acusá-lo no MP.
Em depoimento no dia 12 de dezembro, a ex-assessora afirmou que sua permanência no cargo era vinculada ao pagamento de prestações no valor de R$ 300 de um veículo Gol, comprado em seu nome, mas que pertenceria, de fato, a Carlos Roberto de Souza, o “Carlinhos”, irmão de Nirley. Disse que foi demitida após não querer mais praticar a divisão. O vereador, se comprovada a acusação, corre o risco de ter seu mandato cassado.
Segundo a defesa de Nirley, a história é outra. Insatisfeito com o serviço da assessora e com o atendimento prestado por ela à população, o parlamentar a desligou em março de 2006. Para tentar dissuadir Nirley da decisão, Márcia teria apontado vários problemas pessoais, como as doenças da mãe e dela própria, que estaria com uma lesão no ombro e depressão. “Evidencia-se que houve um resquício de mágoa para com o vereador Nirley por tê-la dispensado, como se entendesse que devesse permanecer no cargo eternamente e a qualquer custo”, diz a defesa.
Irritada com a demissão, Márcia decidiu entrar na Justiça Trabalhista contra a Câmara Municipal. Reivindicou a reintegração no cargo de assessora, o reconhecimento da relação de emprego e indenização por danos morais. No total, queria receber mais de R$ 100 mil. Mas ela perdeu. O juiz Alexandre Alliprandino Medeiros negou o pedido, em 27 de novembro último, por ser o cargo de assessor “de confiança” - que não prevê estabilidade de emprego.
Pouco mais de uma semana depois, em 11 de dezembro, Márcia depôs no MP. A curta distância, para Nirley, é mais uma evidência de vingança. “Após verificar o fracasso de sua investida na ação trabalhista, começou a propalar mentiras (...) acabando por afirmá-las, irresponsavelmente, diante do promotor de Justiça”.
TESTEMUNHAS
Para reforçar a tese de vingança, os advogados de Nirley buscaram, também, desqualificar o depoimento da promotora de eventos Elisângela Aparecida dos Santos. No MP, ela disse que “Carlinhos” é quem utilizava o Gol e que chegou a guardá-lo em sua casa. Seu depoimento reforçou a denúncia de Márcia.
Segundo a defesa, Elisângela seria amiga de Márcia e só aceitou depor para se vingar de “Carlinhos”, com quem trabalhara junto e rompera relação após uma discussão. “São gravemente suspeitas suas declarações, uma vez que foram fortemente direcionadas para prejudicar seu grande desafeto, Carlinhos, mesmo que para isso fosse preciso incriminar falsamente o vereador Nirley (...) É assustador ver tanta maldade”, diz o texto da defesa.
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