Bons amigos


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A adolescência é a fase da vida em que a busca pela identidade se torna mais acentuada. Tudo parece exagerado. O primeiro amor é para sempre, as diferenças com os pais parecem nunca passar, as dúvidas são constantes e a pressão sobre o futuro, interminável. Para suportar toda essa carga de estresse, muitas pessoas recorrem a grupos de amigos, onde encontram acolhida e aconchego. Uma tribo que seja a sua cara, use as mesmas roupas, compartilhe o mesmo vocabulário e ideais. Em última análise, uma turma de iguais. O cortador Rodrigo Augusto Santos Rodrigues, 19, faz parte de uma galera intitulada Blade Breakers. O grupo, cujo nome não tem origem explicada, surgiu há pouco mais de dois anos com três amigos. Hoje, ele é composto por algo próximo a 25 pessoas. Antes de fazer parte da turma, considerava-se tímido, um tipo que não saía de casa e, por exemplo, não gostava de dançar. Seus problemas “se acabaram” depois de entrar para os Breakers: “Eles mudaram tudo na minha vida, fiquei mais popular, mais comunicativo”, afirmou. Entre os integrantes, todos destacam a amizade e a diversão como os pontos mais importantes. Para um dos fundadores, Bruce de Almeida Silva, o conjunto faz a diferença. “A gente sai muito para dançar (break, é claro). A nossa união é muito grande”, diz. O grude vai além dos gostos pessoais, que são mais ou menos parecidos. Para se identificar, usam as mesmas camisetas com a mesma cor; um rosa de doer. E para provar que não se largam, vários deles vieram a caráter para a sessão de fotos da reportagem. Juntos, costumam ir a festas e shows, ou mesmo para a casa um dos outros. Nas palavras do DJ André Junor dá para ter uma idéia do que significa o encontro do pessoal. “Quando estamos juntos, a festa acontece. Às vezes não temos nada para fazer, então vamos para a casa de um, de outro; brincamos e nos divertimos”, disse ele. E como fica quem tem namorado ou namorada nessa história? Junor não vê problema. Ele é um que deixa a namorada em casa para sair com a galera. “Ela conhece todo mundo, gosta deles, então não tem crise”, disse. André, Rodrigo e Bruce concordam quando dizem que o mais importante é amizade. “Nós somos uma família. Quando um está mal, todos dão uma força”, disse André. “Entre nós, nos tratamos e nos chamamos de ‘irmão’”. A busca pela vivência em grupo é algo nato ao ser humano. Atrás de auto-afirmação, o jovem se depara com uma turma onde transporta sua identidade individual para a tribo. Nessa troca, ele desenvolve sua própria identidade. Outra razão é o fato de que os amigos são o espelho daquilo que difere dos padrões familiares, como um corte de cabelo inusitado, um estilo de música, ou então a busca pela atenção, sentir-se querido. Mesmo querendo ser diferente, é importante se encaixar nos padrões. Buscando ser igual, é onde se descobre diferente.

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