O perigo do couro


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Dados recém divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comério chamam a atenção. A exportação de couro vem subindo a cada ano e já rivaliza com a exportação de calçados. É preocupante, na medida em que a região começa a aumentar significativamente a exportação de matéria-prima. Na prática, quer dizer que estamos deixando de lado a comercialização de todo know how em produção de calçados. A questão não é simples e envolve, inclusive, participação mais incisiva do Governo Federal para taxar, de forma correta, a exportação de couro, especialmente para mercados semelhantes aos da China. Assim como também é necessária uma política mais incisiva de apoio à exportação de produtos propensos a sofrer com as idas e vindas do câmbio, como o setor calçadista e têxtil, para citar os óbvios. Mas vamos aos fatos. Entre as dez maiores exportadoras da cidade, duas comercializam couro - incluindo a que mais vendeu no exterior. Sete têm no calçado o principal negócio e uma vende grãos de café. Mas o quadro se inverte rapidamente. Em 2006, a cidade angariou, com a venda do couro no mercado externo, US$ 40,6 milhões. Este ano, o total já subiu para US$ 50,4 milhões. Significa que, na prática, os maiores negócios da cidade estão no comércio de matéria-prima. Via de regra, o couro exportado pode, inclusive, fomentar fábricas de calçados no exterior, incluindo a China, cujos produtos concorrem, no mercado externo, com os sapatos produzidos na cidade. Mas não é só. Mesmo entre os exportadores de calçados, houve queda: de US$ 72,9 milhões, em 2006, para US$ 70 milhões este ano. Pequena queda, ao que parece, mas significativa. É preciso, pois, que os números sejam seguidos com atenção. Embora em um primeiro momento o número possa passar despercebido, ele é um verdadeiro tiro no pé da indústria local. O couro brasileiro, barato e de boa qualidade, fornece a matéria-prima de que as sapatarias do mundo precisam para produzir um calçado de qualidade a um preço competitivo. Em um caso como a China, onde a economia é focada na produção com mão-de-obra praticamente escrava, fornecer uma matéria-prima como o couro francano é a senha certa para um produto muito barato e de relativa qualidade como concorrente. No médio prazo, é como se o próprio francano ajudasse a fechar as fábricas da cidade. MICAM A próxima edição da Micam, uma das maiores feiras de calçados do mundo, acontece de 26 a 29 de fevereiro, em Milão, Itália. Conhecida por confirmar tendências para design mundial de calçados, a feira, que terá mais de 1,6 mil expositores, já tem a participação confirmada de 35 marcas nacionais. Conforme levantamento da Abicalçados na última Micam, realizada em setembro, as compras fechadas durante a feira geraram negócios, para as empresas brasileiras, da ordem de US$ 7,6 milhões. Entre as 35, pelo menos cinco são de Franca. Ferrucci, Bettarello, Democrata, Radamés/Sândalo e Albanese. Outras empresas da cidade ainda podem confirmar presença. MICAM II A Micam, como de resto todas as grandes feiras realizadas no exterior, é boa oportunidade para a comparação do produto nacional com o que há de melhor. As cinco confirmações de empresas francanas na Micam, portanto, são extremamente positivas, mas a situação está muito aquém, ainda, do que deveria. COUROMODA Diz despacho da Abicalçados, em seu site, que as “micro e pequenas empresas de Franca e Birigüi, importantes pólos calçadistas do País, que expuseram suas marcas nos estandes coletivos do Sebrae/SP na Couromoda 2008, encerraram o último dia da feira com previsão de cerca de quase 700 negócios realizados que devem gerar um montante de mais de R$ 2 milhões. Para Paulo César Pereira Costa, diretor da Mazuque Calçados, do pólo de Franca, esta edição superou as expectativas com crescimento de 20%, com relação ao ano passado, tanto em números de contatos, quanto em negócios realizados”. Boa notícia. A indústria calçadista na cidade é sustentada por uma grande base de pequenas e médias empresas, sem contar as bancas de pesponto. Bons negócios para este segmento significam um bom começo de ano para todo o setor calçadista francano. SINDIFRANCA E para não ficarmos apenas na “cornetagem” com relação ao Sindifranca , cabe registrar, nesta coluna, que o site da entidade voltou a ser atualizado com notícias do setor. Só na última semana, foram cinco novas notícias sobre o setor calçadista, duas delas envolvendo a realidade do setor em Franca. Uma excelente nova que, esperamos, seja norma por muito e muito tempo. NEGOCIAÇÃO Esta semana, devem aparecer as primeiras contrapropostas na dura negociação entre patrões e empregados. A batalha definirá o piso salarial para os sapateiros de Franca. Esta coluna apurou, com representantes dos dois lados, que um acordo deve ser fechado com reajuste na casa dos 5,5%. Ora, se ambas as categorias estão dispostas a negociar até esse percentual, por que manter um processo longo e chato de negociações? Patrões e empregados deveriam ir direto ao ponto. Proposta possíveis ajudariam, sem dúvida, a um processo mais democrático e rápido. Os verdadeiros interessados, dos dois lados, seriam muito beneficiados com tal postura.

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