E a torcida foi assistir Francana e União Barbarense. Pelas contratações realizadas e pela pré-temporada (semelhante à de time grande) de dez dias em Atibaia a Veterana decepcionou. Deixou a desejar.
Nos primeiros dez minutos de jogo as equipes estavam emboladas e abusaram do recurso técnico que menos agrada o torcedor, o balão (chute alto sem direção). Com o passar do tempo começou a acontecer jogo pela ala esquerda da Veterana, através do bom lateral Edivânio. Numa dessas jogadas saiu o primeiro chute a gol do time, com o apenas mediano lateral direito Giovani.
A União Barbarense aproveitava a falta de padrão do time esmeraldino e com o centroavante Oliveira usado como referência, mantinha a posse de bola no campo adversário. A tônica do jogo era essa, a Francana tentava encaixar o seu jogo e a Barbarense se postava melhor em campo.
O árbitro Eleandro Pedro da Silva, visivelmente fora de forma, não contribuía e parava tudo a qualquer queda no gramado. Gramado? Arremedo de gramado, péssimo. Pergunto: a FEAC, responsável pelo Lanchão, não sabia que haveria jogo no sábado? Mas voltemos ao jogo.
O jogador mais lúcido em campo era Elivélton. De novo pela esquerda, ele recebeu a bola na meia lua da grande área inimiga e chutou. A bola resvalou em zagueiro e entrou no canto contrário ao qual o goleiro se jogou. O camisa dez comemorou à la Neto (escorregando no gramado com os joelhos flexionados) o seu primeiro gol em partidas oficiais com a camisa da Feiticeira. Daí em diante, e até o final do primeiro tempo, a Francana foi sempre melhor mas sem poder de finalização.
No intervalo o técnico da Barbarense mudou o ritmo do jogo. Tirou o centroavante lento e colocou Carlos Alexandre, um clone do Valdívia a julgar pelo estilo de jogo e os cabelos longos. A Francana não marcou o “Valdívia” do jeito que precisava (aliás, toda equipe que tem jogado contra o Palmeiras, “caça” o chileno por onde ele anda). E foi exatamente ele que viu um mau posicionamento do goleiro Branco e fez um gol de cobertura; “gol espírita” na opinião do técnico Wantuil.
A Francana foi para a frente em bloco, mas ficou no “quase”. O Wantuil Rodrigues foi infeliz ao tirar o Trevor e deixar em campo o Milton. Aliás, entendo que os dois não podem jogar juntos. Os dois são atacantes mais fixos. Melhor seria ter um atacante fixo (posicionamento do Ronaldo Fenômeno) e outro que jogue mais fora da área (posicionamento do Alexandre Pato). A torcida irritada não poupou o Wantuil Rodrigues que, assim como os demais técnicos, assiste ao jogo de um local do campo que não contribui.
Se ele tivesse um auxiliar que ficasse na arquibancada/cabine de imprensa e que lhe passasse informações via rádio, ele teria condições de ter uma melhor leitura tática do jogo. E, por falar em rádio...
Eu ouvia a Difusora em casa antes de ir para o campo. Um tenente da PM, responsável pela segurança do estádio, disse ao ser entrevistado que seria permitida a entrada de rádios com pilhas pequenas. Peguei o meu ‘walk-man’, que usa pilhas pequenas. Chegando lá, um soldado disse que não poderia entrar com rádios.
Argumentei dizendo que o tenente-comandante havia dito há pouco que... Nada feito. Tentei entrar por outro portão e outro policial disse que teria de ser rádio pequeno com pilhas pequenas. Mostrei-lhe o meu. Pela definição dele o meu ‘walk-man’, de 11 cm, era grande. Fiquei sem entender. Quantos centímetros teria um rádio pequeno com pilhas pequenas? Deixei o “walk-man” motivo da discórida de fora, mas vi o jogo. Acho que um campo de futebol é uma Torre de Babel...
CARLOS EDUARDO GIMENES DE MATOS é integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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