Estúpidez em duas rodas


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Motoqueiro se exibe sobre motos em alta velocidade na Rodovia Cândido Portinari: Irresponsabilidade aumenta chance de acidentes e coloca em risco a vida de usuários da movimentada via
Motoqueiro se exibe sobre motos em alta velocidade na Rodovia Cândido Portinari: Irresponsabilidade aumenta chance de acidentes e coloca em risco a vida de usuários da movimentada via
A Rodovia Cândido Portinari, no trecho compreendido entre a entrada de Franca e o pontilhão do Parque Vicente Leporace, se transformou em uma pista de corrida, onde motoqueiros se aventuram sobre duas rodas. São disputas de rachas e exibicionismo em alta velocidade. A irresponsabilidade coloca em risco a vida não só dos motoqueiros, mas de usuários que passam pela via nos horários dos pegas. Em 2007, 50 pessoas foram multadas por este tipo de infração. Mas as autuações não foram suficientes para inibir a prática. Até bem pouco tempo, a Avenida Severino Tostes Meirelles, na saída de Franca para Restinga, era o tradicional ponto de rachas. Com a desativação de um posto de gasolina e a intensificação do patrulhamento no local, os competidores migraram para a Cândido Portinari. De quinta-feira à noite até domingo, eles desafiam a polícia e tomam conta da rodovia. Os “titanzeiros”, numa referência ao tipo de motos que mais usam, começam a se reunir, no fim da tarde, nas proximidades de um posto na saída para Batatais. De lá, seguem até o Leporace fazendo acrobacias e ultrapassagens arriscadas. Em meio a carros e caminhões, os motoqueiros se transformam em surfistas e alguns até ficam em pé sobre o banco. Há quem diga que chegam a apostar quantias para ver quem ganha a corrida, informação que não foi confirmada pela reportagem. “Os caras envenenam as motos para ganhar mais potência. O esquema é tão forte que vem até Kombi de Ribeirão Preto com motos dentro para participar”, contou um ex-participante que sempre acompanha as disputas. Na tarde de sábado, a reportagem flagrou condutores fazendo “peixinho”, ou seja, deitando sobre a moto e pilotando apenas com uma das mãos. Cerca de 20 motoqueiros assistiam às manobras. A ousadia é tanta que andam pela contramão na alça de acesso da Avenida Antônio Barbosa Filho para a Rodovia Cândido Portinari. Um posto ao lado serve como concentração e ponto de chegada. A base da Polícia Rodoviária fica a cerca de 1,5 quilômetro. A distância para o batalhão da PM é a mesma. “A maior parte dos acidentes no referido trecho envolve motos e decorre da imprudência dos condutores. A disputa de racha se configura como crime de trânsito. Esta conduta é de nosso conhecimento, tanto é que, no ano passado, multamos mais de 50 pessoas por envolvimento. Em um dos casos, os pais imaginavam que o filho menor de idade estava na escola, enquanto, na verdade, se arriscava com as motos”, afirmou o tenente Cláudio Ferreira da Silva, comandante da Polícia Rodoviária. Disputar racha configura infração de natureza gravíssima. O condutor flagrado nesta situação é multado em cerca de R$ 550 e tem a CNH suspensa de um a 12 meses. Em dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal aprovou o parecer do deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) ao projeto que prevê punição mais rigorosa para os participantes de rachas. De acordo com o texto, se houver lesão corporal, o motorista poderá pegar de três a oito anos de reclusão. Já em caso de morte, a pena subirá para 5 a 15 anos de reclusão. Atualmente, ela varia de seis meses a dois anos de detenção. Apesar dos diversos acidentes causados, não há notícias confirmadas de mortes causadas pelas disputas na cidade. A polícia enfrenta dificuldades em encontrar testemunhas para confirmar as suspeitas. COMBATE O tenente Cláudio informou que realizará batidas em conjunto com a Polícia Militar visando coibir os rachas e as exibições de motoqueiros na área urbana do município. Os dias e locais onde as disputas são mais freqüentes estão sendo monitorados. Outro ponto de concentração identificado é o Distrito Industrial. “Paralelamente a este trabalho, também já estamos tentando identificar, por meio das placas, os proprietários das motos para chamá-los à responsabilidade”. Apesar de admitir a existência do problema, a polícia não estima quantos motoqueiros estão envolvidos nas disputas de rachas em Franca. Acredita-se que seja um número próximo de 40. Normalmente, uma platéia costuma se aglomerar por perto para acompanhar as manobras.

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