Ex-aluna reencontra professora após 27 anos


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Dizem que a primeira professora a gente nunca esquece. A autônoma Rosineide dos Santos Rossato, 34, que o diga. Ela sempre se lembrou dos três anos em que teve Mariza Sampaio Martins, 57, como mestra, na escola de uma fazenda próxima a Itirapuã. Rosineide sonhava em reencontrá-la e conseguiu realizar seu desejo na última sexta-feira, 27 anos depois. Rosineide tem muitos sonhos, mas sempre comentava com os filhos sobre a vontade de rever a “tia” Mariza. Um deles, Rafael Rossato, 14, decidiu escrever para o Comércio da Franca na tentativa de localizá-la. “Minha mãe sempre falou da professora dela. Era um sonho e ela falava com muita freqüência sobre ele para mim e para minha irmã. Resolvi escrever para o jornal. Deu certo”. O pedido foi publicado na sessão Opinião do Leitor, em 23 de janeiro de 2008. No mesmo dia, Mariza ligou para o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) do Comércio. “Uma amiga minha viu o jornal e me avisou. Foi emocionante”, disse. As duas moram em Franca. O jornalista Luiz Neto, editor de Opinião e gestor de Relações Corporativas do Grupo Corrêa Neves de Comunicação, idealizou e combinou um reencontro surpresa. A ex-aluna foi convidada para conceder uma entrevista sobre famílias carentes, às quais costuma ajudar com doação de alimentos e roupas, na sexta-feira, 25, na nova sede do jornal. Ela não sabia da vinda da professora. Na companhia dos filhos Rafael e Roseane, 16, chegou por volta das 16 horas. Enquanto era entrevistada numa sala reservada e no exato momento em que falava da saudade da professora, Mariza entrou na sala com a filha mais velha, Flávia, 34, e se sentou. Rosineide chorava. Distraída enquanto dava seu depoimento, nem percebeu quem havia entrado. No meio da entrevista, a repórter disse que queria apresentar as duas mulheres que estavam na sala. Ao olhar e ver que era a “tia” Mariza, Rosineide não se conteve e chorou. “Que felicidade, que alegria. É uma bênção. Eu me lembro de cada dia com a senhora. Nossa!”. As duas se abraçaram. “Você está linda. Que filhos bonitos, Rosineide”, disse a professora. Para Rosineide, Mariza foi como uma mãe. “Saía debaixo de chuva, no frio para ter aula. Ela me passava muito carinho. Era bondosa. Minha mãe era muito durona, nervosa demais. Fui criada pelo meu padrasto”, disse chorando. “Eu ia para a escola por causa da professora maravilhosa que eu tinha. Chegava sexta-feira, eu chorava porque não tinha aula no sábado e domingo. Um dia apanhei de cabo de vassoura da minha mãe porque falei que gostava era da tia Mariza”. VIAGEM AO PASSADO Por mais ou menos uma hora, Rosineide, Mariza e os filhos conversaram sobre vários assuntos e reviveram o passado. Professora e aluna relembraram do frio que fazia na fazenda, das vacas e cachorros bravos com que cruzavam no caminho para a escola e da sopa preparada e servida pela professora para os estudantes na escola que não existe mais, foi derrubada. Os filhos da aluna, Rafael e Roseane, disseram que pretendem ser jornalistas e receberam apoio da mulher que ensinou a mãe deles a ler e escrever. “Acho uma profissão muito linda. É muito bom que sigam essa carreira, mas precisam estudar português e ler bastante”. As lembranças não se resumiram aos momentos vividos dentro da sala de aula. Mariza deu aula para a ex-aluna durante três anos (1ª, 2ª e 3ª séries) e, num certo dezembro, decidiu levar um estudante da fazenda para passar a ceia de Natal com ela e seus familiares. Como a mãe de Rosineide permitiu o passeio, ela foi a privilegiada. As duas se lembraram desse episódio. “Foi maravilhoso. Fiquei na casa dela e brincava com os filhos dela. Voltei para casa com uma sacola cheia de bonecas”. Na sexta-feira, a professora voltou a presentear a ex-aluna. As duas planejam novos reencontros. Os endereços e telefones, elas já trocaram.

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