Orgulho de ser fiel


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O orgulho de uma “nação” estará representado no Carnaval de Franca. A Imperatriz da Zona Sul, escola com sede no Jardim Aeroporto, é afilhada da Gaviões da Fiel, a maior torcida organizada do Corínthians e campeã por mais de uma vez do desfile das escolas de samba de São Paulo. Por causa disso, poderá usar a roseta junto ao seu estandarte. O “batizado” da escola local aconteceu em 2004, com direito a muita festa, churrasco e visita dos padrinhos paulistanos. A utilização do ícone corintiano só pode ocorrer em situações especiais, como apresentações e desfiles. A última vez que a roseta acompanhou a bandeira da Imperatriz foi no fim do ano passado, no Hallel, quando a escola fez uma apresentação para homenagear o padre Martin Valverde. Por isso é grande o anseio da comunidade e dos carnavalescos da zona sul. Nem a chuva e a neblina dos últimos dias diminuíram o ânimo dos foliões da Imperatriz. A equipe do Comércio da Franca esteve em um ensaio da agremiação na sexta-feira passada, no centro da Serrinha (nome dado pelos sambistas do Aeroporto onde se encontram para cantar e compor). Mesmo com o cenário escuro e frio, os integrantes da bateria utilizaram o tempo para aprimorar o toque poderoso de seus instrumentos. Diante deles, a sapateira Clarissa Aparecida da Silva, 19, rainha da bateria, demonstrou entusiasmada o “samba no pé” que poderá ser visto na avenida. A juventude é uma característica da escola. Principalmente na bateria do mestre Chacrinha. Aos 16 anos, Mateus Leon de Oliveira, responsável pelo surdo é um dos instrumentistas. No meio dos 80 integrantes Carlos Daniel, de apenas 2 anos, segura firme o chocalho enquanto morde a chupeta e se empolga com o ritmo. O trabalho não se restringe aos ensaios. Em uma casa do bairro, a costureira Elenilda dos Santos Castro, 33, confecciona 80 saias para uma das alas. Sem nunca ter pisado na avenida, ela se apressa para dar conta da produção, já que depois as peças precisam ser bordadas uma a uma pelos componentes da escola. O cabeleireiro Jerry Bisanha, que nesta época encarna um experiente carnavalesco, trabalha sozinho na organização do desfile. Ele já foi o responsável por três escolas da cidade (Unidos da Cidade Nova, Pérola Negra e Aliados da Santa Cruz) e também já trabalhou nos desfiles de Batatais e Ribeirão Preto. “O corre-corre é normal e vai piorar na avenida, quando tenho que colocar tudo em ordem”, disse Bisanha. Sorridente, Jorge Henrique da Silva, presidente da escola, só lamenta que apenas 350 pessoas, 40 delas crianças, representarão a Imperatriz na avenida. “Se dependesse da comunidade, todos os moradores desfilariam. Infelizmente não temos estrutura para isso”, declarou. Fundada em 2004, a Imperatriz da Zona Sul só foi julgada uma vez: no ano de sua criação. Em 2005 não houve Carnaval em Franca. No ano seguinte os componentes ficaram sem transporte e não conseguiram chegar a tempo para o desfile. Punida, a escola não entrou na avenida em 2007 e por isto, agora recebeu da prefeitura municipal apenas metade da verba no valor de R$ 11,5 mil. “Nosso orçamento é superior a isto, mas a gente consegue com a ajuda de todos”, disse Silva. Mesmo com estes problemas, surpresas estão previstas. Carnavalescos de São paulo são esperados no desfile, assim como de várias cidades da região. Dois carros alegóricos com grandes bonecos homenagearão dois ícones existentes no bairro: a Unifran e o aeroporto de Franca. As baianas representarão o basquete francano e o mestre-sala e a porta-bandeira simbolizarão a riqueza da zona sul. Colaborou: Fernanda Martins

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