A situação do investigador Carlos Eduardo Evangelista, 28, afastado da Polícia Civil por ter permitido que garotas menores de idade tirassem fotos dentro da delegacia de Ribeirão Corrente, exibindo arma e fazendo poses sensuais, se complicou de vez. Depois de tomar conhecimento do caso pelas páginas do Comércio da Franca, o Ministério Público decidiu agir e também vai investigar a ocorrência. Poderá denunciar o policial por improbidade. Ele já responde por ter entregado uma arma para pessoa não habilitada e por corrupção de menores.
O episódio envolvendo o investigador agitou o meio policial e teve sérios desdobramentos durante a semana. Tudo começou na terça-feira, quando uma pessoa não identificada enviou e-mail ao radialista Marcelo Valim, da Difusora AM, denunciando o absurdo.
Em anexo, 17 fotos de menores se exibindo nas dependências da delegacia. Elas apareciam com roupas curtas, fazendo poses sensuais e empunhando uma pistola ponto 40 de uso exclusivo da Polícia Civil.
Uma das garotas falou com a reportagem e afirmou que as fotos foram feitas com o consentimento do investigador. Ele teria, inclusive, descarregado as fotos no computador da delegacia e as disponibilizado no Orkut delas. A festinha não se resumiu à sessão de fotos. “Às vezes, quando não almoçava em casa, nós íamos lá e pedia pra ele esquentar um arroz (sic), uma carninha (sic), para nós. Ele sempre nos convidava para tomar uma Coca (Cola) lá”, afirmou a menor.
Ainda cumprindo o estágio probatório, Carlos Evangelista teve a arma recolhida e foi afastado até a conclusão do processo. O delegado seccional, Maury de Camargo Segui, afirmou que fará de tudo para expulsá-lo da polícia. A defesa alega que as imagens foram feitas sem a autorização do investigador.
Divulgada com exclusividade pelo Comércio e pela Rádio Difusora, a “farra” na delegacia de Ribeirão Corrente ganhou repercussão nacional e causou indignação. “Tomei conhecimento dos graves fatos e, de posse da reportagem, determinei a instauração de um procedimento preparatório para inquérito civil, onde vamos levantar informações sobre o ocorrido. Dependendo do apurado, poderemos mover uma ação de improbidade administrativa contra o policial por infringir princípios constitucionais e da administração pública”, afirmou o promotor de Justiça Cassiano Gil Zancolli.
Na prática, a promotoria vai fazer uma investigação paralela à efetuada pela Polícia Civil. Ofícios foram expedidos para a Delegacia Seccional - solicitando informações sobre as medidas tomadas - e para os promotores criminais e da Infância e Juventude para apuração dos fatos. “Caso necessário, ouviremos as partes envolvidas no caso. Uma vez havendo elementos suficientes, vamos agir perante o Poder Judiciário. As denúncias são muito graves e precisam ser apuradas a fundo”, finalizou Zancolli.
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