Pais pedem para a polícia prender o filho


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O que leva os pais a pedirem para os policiais colocarem o próprio filho detrás das grades? A atitude foi tomada há cerca de dois anos pela faxineira Maria*, 46, e o marido Roberto*, 59, pais do jovem Sérgio*, 17 (*nomes fictícios). Depois de saberem que o filho assaltara um taxista no Parque Vicente Leporace, em Franca, ameaçando-o com uma faca no pescoço, preferiram que o filho fosse retirado do convívio da sociedade. “Foi um desespero. Não sabíamos o que fazer. Pedi à polícia para prendê-lo, tirando-o da rua para que pudesse se livrar dos seus erros”, disse o pai. Para Roberto e Maria, continuar solto poderia custar a vida do filho caçula. “Antes ver meu filho preso que morto. Envolvido com traficantes, poderia morrer se continuasse solto”, disse ela, que está em depressão por causa dos problemas com o rapaz. A família é humilde e vive numa casa simples na zona leste de Franca. Roberto e Maria estão casados há 30 anos e são pais de cinco filhos que estão com 29, 27, 24, 19 e 17 anos. Dois deles, o de 27 e o caçula, se envolveram com drogas. O mais velho está internado numa casa de recuperação. O mais novo, Sérgio, está na Fundação Casa (ex-Febem) pela segunda vez, e disse à reportagem que começou a roubar aos 9 anos, contrariando o sonho dos pais. “Queria ver meus filhos estudados, mas o Sérgio não quis obedecer. Não podia bater para obrigá-lo a ir para a escola e fazer as coisas certas. Eles sempre foram livres para escolher”, disse o pai. Roberto e Maria não entendem o que levou o filho a seguir o mundo do crime. “Criamos os cinco filhos com dificuldades. Somos pobres, mas nunca deixamos faltar nada. Eles foram criados na Igreja Evangélica”, disse a mãe. O pai não acha correto atribuir a escolha de Sérgio às condições financeiras da família. “Nunca dei mau exemplo para eles, sempre ensinei a trabalhar com suor. As pessoas falam que os filhos caem no roubo porque são pobres, por causa da situação financeira. Eu discordo porque a gente vê na televisão vários ricos roubando”. Aos pais de Sérgio resta a esperança de terem o filho recuperado e conseguirem apagar o passado. “Estou com esperanças de que ele vai sair da Febem, trabalhar, ter o dinheiro dele, poder viver no meio da sociedade novamente, ser um grande homem”, disse Maria. Na zona norte de Franca, outra mãe vive drama semelhante ao da família de Sérgio. Simone* (nome fictício) tem apenas 37 anos e é mãe de dez filhos entre 4 e 20 anos. Depois de sofrer durante dez anos com o marido viciado em crack e pinga e ficar viúva em setembro de 2006, se vê impotente diante do comportamento do quarto filho, de 15 anos. O menino usa drogas e pratica roubo desde os 12 anos. “Ele é idêntico ao pai, que foi morto por traficantes”. O menino já passou por atendimento com psicólogos e Caps (Centro de Atenção Psicossocial), mas não quer se tratar. A mãe diz que está nesse mundo porque quer. “Dos meus dez filhos, só ele mexe com drogas e rouba. Ele falou para a psicóloga que mexe com essas coisas por causa do pai, mas acho que sua cabeça é sua sentença. Você vai porque quer, é a cabeça que é fraca. Ninguém cai no buraco se não quiser”, disse Simone. Enquanto o filho não muda o comportamento, Simone é obrigada a enfrentar a agressividade dele e ser furtada pelo próprio filho. “O que ele acha dentro de casa ele tira. Leva roupa, arroz e feijão para vender e comprar crack. Ele dorme o dia todo, sai quando está entardecendo e volta às quatro horas da madrugada. É triste. Depois de tudo que passei com meu marido... é uma dor viver de novo com meu filho”. Sofrendo, Simone não sabe o que fazer. “Ele não quer se tratar. Então não adianta forçar. Ele até chora às vezes, mas não consegue largar essa vida”. (*os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados)

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