Juiz da Infância avisa: ‘Tem que falar não’


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O juiz da Infância e da Juventude, José Rodrigues Arimatéa, responsável por decidir as condenações aos infratores com menos de 18 anos em Franca, disse que a maioria deles vem de famílias desagregadas, nas quais os pais perderam o controle dos filhos. Arimatéa esboçou um perfil dos infratores e explicou por que os jovens roubam, furtam e até matam. Juiz há 13 anos, acredita que a reeducação é o caminho para recuperá-los e que a instalação da Fundação Casa (ex-Febem) pode contribuir mais com tal processo. Confira os principais trechos da entrevista com Arimatéa. Comércio da Franca - Qual o perfil dos menores infratores em Franca? José Rodrigues Arimatéa -O perfil do infrator depende do tipo de infração. Os crimes que mais aumentaram em Franca nos últimos dois anos foram tráfico e porte de entorpecentes. Diminuíram furtos e roubos. Ainda que sejam os que mais se praticam - o furto tem índice elevado, é o crime que mais se pratica - em relação aos anos anteriores, há uma diminuição. Quem pratica o furto normalmente o pratica para adquirir drogas. Quem pratica o roubo é porque não teve a facilidade para praticar o furto e também rouba para sustentar o consumo de drogas. Normalmente estão devendo para alguém. Esse adolescente é alguém cuja família não tem controle sobre a sua pessoa e não exerceu esse controle numa fase anterior, quando ele era menor; normalmente filho de pais separados ou de mãe solteira ou que por algum motivo a família esteja desagregada. Esse é basicamente o perfil do infrator francano. Comércio - Por que têm cometido crimes? Arimatéa - São meninos sem estrutura e que precisam conhecer limites. Comércio - Como mudar a situação? Arimatéa - É preciso reeducar. Sem educação não resolve. Comércio - Na opinião do senhor, a mudança na fiscalização pela polícia e ter tolerância zero na condenação de menores são importantes? Arimatéa - Na medida em que a polícia aperta a fiscalização, aperta as abordagens e não deixa passar, obviamente, a válvula de escape do infrator fica muito menor e ele passa a ser conhecido. Os grandes incentivos para a prática de qualquer tipo de crime é o anonimato, é a possibilidade de não ser pego. A partir do momento em que a pessoa é identificada, sabe-se onde ela mora, ela deixa de ser anônima. Comércio - O que o senhor acha da instalação da Fundação Casa (ex-Febem) em Franca? Arimatéa - É fundamental e necessária porque o trabalho vai ser mais aproximado. São menores infratores da cidade que estavam internados em unidades de outras cidades. O trabalho será mais aproximado porque se conhecem os internos. Se vão para São Paulo, correm risco de aprender outros tipos de infrações lá durante a internação.

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