Cana diminui ‘café com leite’ na região


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BEM NA FITA - Galho de café em fazenda nas cercanias de Franca: produto manteve área cultivada, mas ampliou em mais de 350% o faturamento gerado na região nos últimos dez anos
BEM NA FITA - Galho de café em fazenda nas cercanias de Franca: produto manteve área cultivada, mas ampliou em mais de 350% o faturamento gerado na região nos últimos dez anos
A criação de gado leiteiro e a produção de café, duas tradicionais atividades econômicas da região, reagiram de formas diferentes à expansão da cana-de-açúcar, que passou a ocupar 45,24% das terras da região em 2006, ante 29% em 1996. De um lado, o baixo lucro registrado pela produção de leite fez com que pastagens fossem cada vez mais substituídas pela cana, enquanto o café conseguiu demarcar seu território e até expandi-lo. A explicação é, como em toda economia capitalista, o lucro. Segundo o IBGE, a produção de café teve, em dez anos, uma pequena queda no número de toneladas produzidas, 0,11%. A área plantada, no entanto, cresceu 11%, mas a alta mesmo foi no valor de produção, com uma elevação de 366%, que fez com que o valor de produção do café na região saltasse de R$ 67,4 milhões para R$ 247,4 milhões entre 1996 e 2006. Já a pecuária amargou uma queda de 37.965 cabeças de gado. Em 1996, eram 246.161 unidades em dez cidades da região, contra 208.196 registradas em 2006 (veja quadro), queda de 15,42% que pode ser justificada pelo valor pago ao produtor. Entre 1996 e 2005, a cotação do litro de leite pago ao produtor ficou entre R$ 0,50 e R$ 0,56, sendo o valor médio comercializado em 2005 R$ 0,50, de acordo com IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna). A recuperação do leite, que no ano passado teve o preço médio mais alto pago aos produtores desde 1998, com valores de até R$ 0,99, começou apenas em 2006 e de forma gradativa. A queda na produção de gado foi sentida pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São José da Bela Vista, Jamil Costa Lima, que viu os funcionários que trabalhavam com o produto adaptarem-se à cana ou irem para outras cidades à procura de emprego. “Antes, na maioria das propriedades tinha pelo menos um pouquinho de gado, que fossem dez cabeças. Com esta história de arrendar terra para a cana, acabou, a cana levou tudo e a pecuária caiu bem. Com isso, a maioria dos trabalhadores está sobrevivendo da cana. Hora que acabar vai ser difícil. Muitos também procuraram ir para a cidade grande, para as fábricas”.

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