Além da lucratividade, questões como a inclinação de solo estão entre as responsáveis pela manutenção da área cafeeira. “A região, próxima a Minas, tem relevo acidentado, não favorecendo a mecanização, principalmente de cana-de-açúcar”, diz o engenheiro agrônomo e diretor da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), Ricardo Lima de Andrade.
Ricardo volta a ressaltar que a rentabilidade do café, mesmo com o sobe e desce dos preços, ainda é mais alta do que a da cana, mesmo com todos os cuidados que a cultura exige. “O café, por mais que esteja atravessando um momento não tão favorável de preço, é uma cultura que traz renda melhor do que a cana, mesmo demandando mais mão-de-obra. Não tem porque trocar, a menos que o produtor esteja conduzindo muito mal sua produção de café”.
Ainda assim, comenta o agrônomo, não é fácil um cafeicultor trocar sua produção. Ele prefere, segundo Ricardo, variar. “É mais fácil ele diversificar. Temos cooperados que têm sua plantação de cana e resolveram diversificar com a cana, em detrimento de pasto ou de uma plantação de milho ou soja”.
E por falar em milho e soja, a produção de grãos também foi afetada pela expansão da cana. “A cana entrou primeiro nas áreas de pastagens e de cereais, que passou por um momento ruim no ano passado. Os produtores que tinham áreas de soja e milho, que são pequenas na região, arrendaram as áreas para a produção de cana.
Quando a gente olha as fotos de satélite de 2001 e 2006, vê que a cana evoluiu sobre estes municípios sim, principalmente em São José, Patrocínio, Restinga e Cristais”, disse.
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