Terroristas contra soldados. A missão? Acabar com o exército inimigo. Sangue, facadas, tiros, explosões, gritos de dor, respiração ofegante e adrenalina. Calma, isso não é mais uma operação norte-americana em combate ao Iraque. É apenas um jogo de computador estratégico cheio de recursos tecnológicos e cenários em 3D, o Counter-Strike.
Desde o último dia 17, o game está proibido em todo o território nacional.
A determinação é da Justiça Federal de Minas Gerais e não se restringe apenas à comercialização do jogo. A lei estabelece a retirada e a proibição do uso do game em lan-houses, cybers ou qualquer outro estabelecimento comercial. A lei, porém, não prevê nenhuma medida de fiscalização para uso residencial.
De acordo com a Justiça, os jogos são muito violentos, o que poderia formar cidadãos agressivos. Mas essa desculpa não parece ter “colado” entre os fascinados por esse jogo. No caso de Carlos César Costa, 21, o Firmeza, que joga CS há sete anos, a paixão já chegou a ser fonte de renda. Ele treina pelo menos duas horas por dia, inclusive aos fins de semana, e, ao lado de outros quatro amigos, participa de campeonatos. Ele garante já ter ganho pelo menos R$ 1,2 mil com o hobby. “O jogo é meio perigoso mas é da hora. É pra ficar ligeiro, só para os espertos (sic)”.
E é justamente essa sensação de adrenalina e poder que atrai os jogadores, ou, como dizem, a vontade de ser bom. “Você vai jogando e evolui. Isso também faz a gente jogar cada vez mais”, disse o proprietário das duas unidades da Cyber Shox, Jonathan de Andrade, 22, que disse ter investido mais de R$ 50 mil em computadores para a sua loja.
De acordo com a analista de comportamento Marluce Fagundes, jogos e programas de televisão não devem servir como justificativas para comportamentos violentos.
Segundo ela, as pessoas mais velhas precisam aprender a conviver com a internet e os jogos, porque eles desenvolvem habilidades importantes. “Atenção, acuidade visual, coordenação motora, reflexo, raciocínio, além da interação que, mesmo mediada pelo jogo, propicia divertimento e parceria”.
Mas cautela nunca é demais. “Embora o jogo não “vicie”, os jovens que optam por ele como único recurso de divertimento estão restringindo suas possibilidades de aprender e se divertir”.
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