Os pais que quiserem matricular seus filhos em uma creche gratuita neste ano terão que ter paciência e esperar. Levantamento informal realizado pelo Comércio em 21 das 28 creches cadastradas na Prefeitura de Franca aponta que faltam, ao menos, 1,5 mil vagas para atender alunos entre zero e 6 anos. O número tem como base a lista de espera das instituições e pode ser ainda maior se contabilizadas as sete unidades em que a reportagem não conseguiu contato. Além disso, a partir de amanhã, quando boa parte delas retomam as atividades, a procura por uma vaga tende a se intensificar.
Atualmente, as creches gratuitas que contam com subsídios da Prefeitura atendem 2,2 mil crianças. Boa parte delas tem listas de espera igual ou maior que o número de vagas oferecidas. A escassez é maior na região norte da cidade. Bairros como City Petrópolis, Santa Terezinha, Leporace, Paineiras, Vila Imperador e Jardim Luiza, se tivessem uma unidade inaugurada em cada um, hoje, com capacidade média para 70 crianças, preencheriam, de imediato, todas as vagas. O problema é que, para este ano, não há previsão da criação de novas creches naquela região.
A situação preocupa quem espera. A funcionária pública Patrícia Evangelista Migani, 30, tenta planejar a rotina do seu bebê daqui a dois meses, quando ela termina a licença-maternidade e volta ao trabalho. Ela procurou a creche do Luiza ll, bairro onde mora, mas não conseguiu a vaga. “Não sei como vou fazer. Trabalho no Luiza l e não tem como sair daqui e ir a um bairro distante deixar a criança”.
Para este primeiro semestre, a Prefeitura planeja entregar duas novas unidades -uma no Distrito Industrial e outra no Jardim Panorama -que atenderão cerca de 250 crianças. A cidade também foi contemplada pelo MEC (Ministério da Educação) com R$ 700 mil para construir uma creche com capacidade de atender 120 alunos. A princípio, a intenção da secretaria de educação é instalar a unidade na região oeste, o que beneficiará bairros como Jardim Júlio D’Elia, Jardim Palmeiras, Pulicano e Jardim Martins.
Apesar das novas unidades minimizarem o problema, ainda falta muito para atender a demanda. Em uma conta simples, a Prefeitura teria que construir, pelo menos, 20 novas creches para abrir 1,5 mil vagas. Quem coordena as instituições acredita que a ampliação dos prédios resolveria boa parte do problema. “Há anos estamos pleiteando a ampliação do nosso prédio para podermos atender um maior número de criança, mas infelizmente não conseguimos”, disse Edgar Andréo, presidente do Centro de Convivência Infantil Fonte de Luz.
A unidade, localizada na Vila Santa Terezinha, atende 60 alunos e tem uma lista de espera de, pelo menos, 150 crianças. “Chegamos a fazer um ampliação com recursos próprios e conseguimos aumentar o número de vagas, mas é insuficiente”, disse Edgar.
A situação, porém, não é diferente no Centro de Atendimento Infantil, do City Petrópolis, mantido pela Prefeitura. A unidade, que atende 151 alunos, tem outros 50 aguardando por uma vaga. A secretária de Educação, Leila Haddad, disse que a Prefeitura tem trabalhado para resolver o problema e que, desde o início da administração, foram criadas 820 vagas. “Estamos trabalhando fortemente neste segmento”, garante.
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