Intimada pela polícia, a advogada Adriana Telini Pedro esteve na sede da DIG, ontem à tarde, para prestar depoimento. Ela foi ouvida no inquérito que apura a autoria do assalto ocorrido segunda-feira na região central em que bandidos roubaram R$ 100 mil em jóias de um casal. As vítimas foram atacadas segundos após saírem do escritório da advogada.
Adriana Telini chegou à delegacia às 14h50. Ao notar a presença da imprensa, recuou. Minutos depois, atravessou a Rua Major Claudiano e seguiu em direção ao prédio da DIG. Estava acompanhada de seu advogado, Rui Engrácia Garcia, e de duas mulheres, uma delas com uma criança no colo.
Aparentando estar grávida, a advogada ignorou os pedidos de entrevista. Procurou ficar atrás de Rui Engrácia para não ter a imagem registrada. O advogado chegou a empurrar o microfone da TV Record e tentou impedir que o cinegrafista Claudinei Peressin filmasse sua cliente, ao colocar uma agenda na frente da lente da câmera.
O depoimento foi a portas fechadas e durou uma hora. Adriana Telini e seus acompanhantes planejaram sair pelos fundos da delegacia para se livrar da imprensa, mas não foi preciso.
Ninguém mais a esperava. Ainda na sede da DIG, foi procurada pela reportagem e disse que não gostaria de se manifestar.
De acordo com o delegado Márcio Garcia Murari, o depoimento da advogada em nada acrescentou às investigações. “Ela foi intimada, pois as vítimas haviam saído do escritório dela. É uma pessoa importante para ouvirmos e tentar esclarecer o crime. A advogada confirmou que havia ligado para a vendedora a fim de ver jóias, mas negou qualquer participação no roubo”.
Telini confirmou que apenas ela, a secretária e o noivo estavam no escritório. Na mesma tarde, ele foi para Campinas, onde mora.
O rapaz também será intimado a prestar depoimento, o que deverá acontecer na próxima semana. “Agora, vamos checar melhor as informações que temos para ver se batem com o depoimento de vítima”.
No sábado passado, Adriana Telini ligou para a vendedora Elizabetti Tozzi, 55, pedindo para ver jóias em ouro. Combinaram de se encontrar segunda-feira às 10 horas no escritório. No dia acertado, a advogada ligou duas vezes para a amiga perguntando por que ela estava demorando. Apesar da pressa, não comprou nada.
Encomendou apenas uma aliança no valor de R$ 1.360.
A vendedora e o marido dela, Milton de Souza Morais, 42, saíram do escritório e caminharam em direção ao carro que estava na esquina. Antes de chegarem, foram atacados por homens que estavam em uma moto. Milton tentou reagir e foi baleado no pé. Para a polícia, os assaltantes receberam informações privilegiadas de que as vítimas estariam naquela hora e local com as jóias. “Não sabemos se a advogada está envolvida ou se alguém se aproveitou do encontro dela com outra pessoa para tentar incriminá-la. Vamos apurar o que aconteceu”, finalizou Murari.
Adriana Telini responde a processo na Justiça acusada de combinar assalto contra um casal de clientes em 2005. Ela foi suspensa pelo Tribunal de Ética da OAB, mas recorreu da decisão e está trabalhando normalmente.
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