Na última terça-feira, a notícia de que a bandeira do Brasil ficou entre as mais feias dentre as de todos o países, estava em todos os sites, blogs e jornais on-line. Em site particular, o professor neozelandês Josh Parsons divulgou o ranking que elegeu as mais belas e as mais feias bandeiras do mundo. A pesquisa/eleição considerou apenas os valores estéticos para fazer a classificação e, de acordo com o próprio autor da pesquisa, a bandeira do Brasil é a mais feia entre todas as nações independentes. Josh foi mais longe: disse que a bandeira da Argentina é bela, graças à boa escolha das cores.
Além de inútil a pesquisa de Josh Parsons beira a indelicadeza diplomática. Tudo bem que ‘ordem e progresso’ não são os pontos mais fortes do Brasil, mas daí a classificar nossa bandeira como a mais feia entre as nações democráticas já é demais.
O pior desse tipo de pesquisa é que daqui a pouco vai aparecer alguém querendo criar um imposto em prol da bandeira, uma espécie de fundo que irá financiar um minucioso estudo com o objetivo de redesenhá-la. Seria o que falta! A gente poderia até criar um ministério, que tal? Ou abrir um concurso público para contratar pessoal com a exclusiva função de cuidar dos aspectos estéticos de nossa bandeira. Não seria uma boa idéia?
Já imaginou? Uma cor a mais? Uma divisa a menos? Uma frase nova?
Que cor seria? Amarelo não vale. Já tem. E a frase? Que tal? ‘Salve-se quem puder’ ou quem sabe ‘Brasil, o País de tolos’.
Sei lá, talvez seja necessário criar mesmo um conselho, uma câmara técnica, um comitê, um fórum, tudo para tirar nosso símbolo da lista das mais feias bandeiras do mundo. Eu particularmente acho que a bandeira como está é linda. Também pudera, eu sou da época em que na escola a bandeira era hasteada no pátio com todos os alunos perfilados e de uniforme cantando o Hino Nacional.
Naquela época a gente aprendia com a tia o que significava cada cor, cada estrela, e a tal frase “Ordem e Progresso” era esmiuçada letra por letra. Ainda lembro como se fosse hoje do dia em que a professora me deixou puxar a cordinha que erguia a bandeira mastro acima. Nossa, que emoção.
Hoje em dia tudo mudou. A bandeira virou camiseta, boné, biquíni, cueca, tolha de banho e de mesa. Já vi até guardanapo com a estampa do pavilhão nacional. Mudou mesmo, mas continuo achando nossa bandeira linda, e tendo por ela o mesmo respeito que tinha quando ainda usava o uniforme e lia a cartilha Caminho Suave.
Quanto à pesquisa do senhor Josh? Não deve ter sido a primeira, nem será a última pesquisa inútil e desnecessária.
ALEXANDRE LEONEL é farmacêutico e integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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