Soa a sirene nos bombeiros. Incêndio de grandes proporções em Igarapava, na divisa com Minas Gerais. Uma viatura sai em disparada. Desespero geral, a cidade está a cem quilômetros da corporação do Corpo de Bombeiros de Orlândia. Em alta velocidade, são, no mínimo, 30 minutos de viagem. O fogo não espera. A cena pode ser real, mas neste caso é apenas uma simulação para mostrar como a região de Franca está vulnerável com a falta de brigadas do Corpo de Bombeiros Militar. São somente duas corporações (Orlândia e Franca), com cem bombeiros ao todo, para uma área com 22 cidades e uma população estimada de 600 mil pessoas. Seria como se houvesse um bombeiro para cada grupo de 6 mil habitantes.
Quase a população de Restinga.
Os próprios homens do Corpo de Bombeiros reconhecem que o número é insuficiente, mas levantamento realizado pela Agência Brasil revela: o problema não é localizado. Dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 635 (11,41%) deles dispõem de uma brigada do Corpo de Bombeiros. No Estado de São Paulo, a cobertura é de 22,17% (143) em relação aos 645 municípios paulistas.
Para o tenente Sabino, do 9º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto, responsável pelas regionais de Franca, Ribeirão e Araraquara, a cobertura precisa ser ampliada, mas lista uma série de empecilhos. “Montar uma corporação do Corpo de Bombeiros é muito caro. Todas as cidades precisam, mas nem todas têm condições de manter um posto. Além disso, o Estado não tem efetivo. São 10 mil homens e todos estão trabalhando”.
Tenente Castilho, do Corpo de Bombeiros de Franca, diz que por ano são gastos, em média, R$ 800 mil para manter toda a infra-estrutura do posto local. A unidade existe desde 1972, tem 13 viaturas e 70 bombeiros atuantes. “É o Estado que equipa as unidades num convênio assinado com as prefeituras, mas não é barato. Um caminhão de incêndio (Alta Escada), importado, custa perto de R$ 1 milhão. Já uma viatura de resgate vale R$ 200 mil”.
Enquanto as cidades da região não ganham unidades do Corpo de Bombeiros, empresas, usinas e prefeituras se organizam e formam brigadas de incêndio, nos quais os caminhões-pipas são os principais veículos no combate ao fogo.
São Joaquim da Barra, Ituverava e Igarapava já se anteciparam e pleitearam ao Governo do Estado suas unidades. O processo mais avançado é de Ituverava, que ganhou a autorização e procura uma área para a instalação do posto. Sem expectativas, Rifaina montou um grupo de salva-vidas para dar mais segurança aos turistas e à população local.
Sargento César, do Corpo de Bombeiros de Orlândia, disse que como a área para cobertura é muito grande (dez cidades e três distritos para 31 bombeiros), há um esforço de toda a corporação para fazer o melhor, mas nem sempre é possível. “As usinas colaboram bastante com as brigadas de incêndio, além disso, passamos instruções para que as prefeituras montem as suas, porém não são todas que conseguem”.
Segundo levantamento da Agência Brasil, as leis que versam sobre os serviços de bombeiros são estaduais. Não existe legislação federal que trate do assunto. De modo geral, a legislação existente determina apenas que é obrigação do Estado prover o serviço, mas não define que uma cidade com um número mínimo de habitantes tenha obrigatoriamente ou não uma brigada militar.
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