Sessão de fotos, refri à tarde e almoço: a rotina na delegacia


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NA FOTO - O investigador Carlos Evangelista (no destaque) é visto numa das sessões de fotos tiradas pelas amigas: a mesma imagem exibe um bebê, que estava no colo de uma mulher de 18 anos, irmã de uma das menores
NA FOTO - O investigador Carlos Evangelista (no destaque) é visto numa das sessões de fotos tiradas pelas amigas: a mesma imagem exibe um bebê, que estava no colo de uma mulher de 18 anos, irmã de uma das menores
As cinco menores de Ribeirão Corrente que foram fotografadas exibindo arma e fazendo poses sensuais, também já haviam almoçado e tomado refrigerante na delegacia a convite do investigador Carlos Eduardo Evangelista, 28. Elas eram amigas e mantinham um relacionamento próximo com o policial. Trocavam mensagens pelo celular e pelo Orkut. A revelação foi feita à Rádio Difusora de Franca por uma das meninas. Antes mesmo de tomar conhecimento destes novos fatos, a Polícia Civil recolheu a arma do investigador e decidiu afastá-lo até a conclusão do processo. Como ainda estava em estágio probatório, pode ser expulso da instituição. Pelos relatos da adolescente, é possível imaginar que a unidade policial era uma verdadeira casa do povo. Ela e as amigas sempre estavam lá. Chegaram a se fartar com refeições preparadas pelo investigador na cozinha do prédio público. “Às vezes, quando não almoçava em casa, nós íamos lá e pedia pra ele esquentar um arroz (sic), uma carninha (sic), para nós. Ele sempre nos convidava para tomar uma Coca lá”. A garota de 14 anos, a mesma que aparece nas fotos com a pistola ponto 40 e fazendo poses sensuais, estava ao lado da mãe e do padrasto. Aceitou falar e concedeu entrevista gravada (leia detalhes ao lado). Disse que as imagens foram feitas pelo celular da irmã dela e com o consentimento do investigador. “Ele chamava a gente para ir lá. Pedimos para tirar fotos para colocar no Orkut. Nós queríamos tirar fotos com aquela arma dele, sabe?” De acordo com a menor, o policial atendeu ao pedido delas e apenas tomou o cuidado de retirar a munição. Após a sessão, era chegada a hora de colocar as fotos no site de relacionamentos. Integrantes de famílias de classe baixa, as meninas não têm computadores em casa. O amigo policial, sempre segundo o relato da garota, quebrou o galho delas e ofereceu o equipamento do Estado. “Ele tinha um cabinho (sic) e baixou as fotos no computador da delegacia”. Acompanhadas pelo Conselho Tutelar, as meninas foram ouvidas ontem à tarde pela Corregedoria da Polícia Civil e confirmaram a versão. O investigador conversou informalmente com a reportagem, mas se recusou a gravar entrevista. Seus advogados disseram que as fotos foram feitas sem o consentimento dele. REPERCUSSÃO A notícia de que menores tiraram foto na delegacia e com uma arma de uso exclusivo da polícia, divulgada com exclusividade pelo Comércio da Franca ontem, caiu como uma bomba em Ribeirão Corrente, cidade de cinco mil habitantes localizada a 30 quilômetros de Franca, além de ter intensa repercussão no meio policial. Rapidamente se espalhou pelo País. Ainda no período da manhã, emissoras de TV, como Globo e SBT, e jornais, entre eles o Estadão, estiveram na cidade e entraram em contato com a reportagem em busca de informações.

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