As cinco menores de Ribeirão Corrente que foram fotografadas exibindo arma e fazendo poses sensuais, também já haviam almoçado e tomado refrigerante na delegacia a convite do investigador Carlos Eduardo Evangelista, 28. Elas eram amigas e mantinham um relacionamento próximo com o policial. Trocavam mensagens pelo celular e pelo Orkut. A revelação foi feita à Rádio Difusora de Franca por uma das meninas. Antes mesmo de tomar conhecimento destes novos fatos, a Polícia Civil recolheu a arma do investigador e decidiu afastá-lo até a conclusão do processo.
Como ainda estava em estágio probatório, pode ser expulso da instituição.
Pelos relatos da adolescente, é possível imaginar que a unidade policial era uma verdadeira casa do povo. Ela e as amigas sempre estavam lá. Chegaram a se fartar com refeições preparadas pelo investigador na cozinha do prédio público. “Às vezes, quando não almoçava em casa, nós íamos lá e pedia pra ele esquentar um arroz (sic), uma carninha (sic), para nós. Ele sempre nos convidava para tomar uma Coca lá”.
A garota de 14 anos, a mesma que aparece nas fotos com a pistola ponto 40 e fazendo poses sensuais, estava ao lado da mãe e do padrasto. Aceitou falar e concedeu entrevista gravada (leia detalhes ao lado). Disse que as imagens foram feitas pelo celular da irmã dela e com o consentimento do investigador. “Ele chamava a gente para ir lá. Pedimos para tirar fotos para colocar no Orkut. Nós queríamos tirar fotos com aquela arma dele, sabe?”
De acordo com a menor, o policial atendeu ao pedido delas e apenas tomou o cuidado de retirar a munição. Após a sessão, era chegada a hora de colocar as fotos no site de relacionamentos.
Integrantes de famílias de classe baixa, as meninas não têm computadores em casa. O amigo policial, sempre segundo o relato da garota, quebrou o galho delas e ofereceu o equipamento do Estado. “Ele tinha um cabinho (sic) e baixou as fotos no computador da delegacia”.
Acompanhadas pelo Conselho Tutelar, as meninas foram ouvidas ontem à tarde pela Corregedoria da Polícia Civil e confirmaram a versão. O investigador conversou informalmente com a reportagem, mas se recusou a gravar entrevista. Seus advogados disseram que as fotos foram feitas sem o consentimento dele.
REPERCUSSÃO
A notícia de que menores tiraram foto na delegacia e com uma arma de uso exclusivo da polícia, divulgada com exclusividade pelo Comércio da Franca ontem, caiu como uma bomba em Ribeirão Corrente, cidade de cinco mil habitantes localizada a 30 quilômetros de Franca, além de ter intensa repercussão no meio policial. Rapidamente se espalhou pelo País. Ainda no período da manhã, emissoras de TV, como Globo e SBT, e jornais, entre eles o Estadão, estiveram na cidade e entraram em contato com a reportagem em busca de informações.
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