Com demissões, Franca despenca no ranking


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Nenhuma expressão reflete mais a realidade de Franca no último mês do que o ditado “Alegria de pobre dura pouco”. A cidade, até o mês passado, foi a décima que mais gerou emprego no Estado de São Paulo, informação noticiada pelo Comércio no último dia 17. Com a chegada dos dados de dezembro, no entanto, a cidade caiu 43 colocações e foi a 53ª geradora de empregos do Estado, com 1,7 mil vagas no ano. A queda, também prevista pelo Comércio, já era esperada por especialistas e é tradicional na cidade. Todos os anos, as fábricas de calçados colocam milhares de trabalhadores nas ruas para recontratar no próximo ano, como explica o economista Hélio Braga. “Isso já é histórico, é uma observação de dez anos, todo mês de dezembro ocorre uma quebra, ou seja, o que foi gerado em postos de trabalho durante o ano foi praticamente diluído no mês de dezembro”. Os dados do Ministério do Trabalho confirmam a afirmação de Hélio Braga. De acordo com o IBGE, 10.298 trabalhadores foram desligados de suas funções no último mês de 2007, sendo que, do total, 7.896 foram da indústria de transformação, onde está incluído o setor calçadista. Coincidência ou não, o número de pessoas demitidas em dezembro (10.298) é bem próximo do saldo positivo registrado entre os meses de janeiro e fevereiro, que foi de 10.280 vagas. Com a queda no ranking, Franca ficou atrás de cidades bem menores, como Araraquara e Boituva, que com uma população 11 vezes menor, criou 71 vagas a mais que a capital do calçado. A explicação para a demissão em massa, explica Hélio, é redução de gastos do setor. “Esta é uma prática comum que os empresários adotam, evitando principalmente a contratação de passivo trabalhista e as incertezas que fazem parte da própria indústria no que diz respeito ao ano subseqüente”. A variação entre contratações e demissões em dezembro também é notada em outros pólos calçadistas, embora em proporções bem menores. Em Birigüi, por exemplo, ocorreram em dezembro 2.121 demissões contra 215 admissões no setor de indústria de transformação. Em Jaú, foram 1.583 demissões e 215 admissões. Em Novo Hamburgo, a diferença é menor, com 1.419 demissões contra 590 novos contratos. Quem perde com isso, sinaliza o economista, é a cidade e os trabalhadores. “É negativo sobre vários aspectos, principalmente o psicológico, porque cria uma situação de ansiedade e preocupação, podendo gerar até mesmo estresse. O trabalhador ser contemplado com uma demissão no final do ano gera uma expectativa negativa no início do outro ano, ele não sabe se será recontratado. Além disso, a demissão pode reprimir o consumo e afetar a economia da cidade”.

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