Prefeitura quer pagar R$ 50 mil/mês por sede


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A proposta da Prefeitura de Franca para comprar os 22.800 metros quadrados pertencentes à Francana inclui contrair todas as dívidas do clube. Além disto, o poder público repassaria R$ 50 mil mensais à agremiação até totalizar a diferença entre as dívidas e o preço oferecido, ou seja, R$ 5,6 milhões. No último balanço divulgado pelo conselho deliberativo da Veterana, em dezembro, a dívida total era de R$ 4.021.824,45. Somente com o poder público há atrasados somando R$ 1.062.672,31. Desse modo, sobrariam R$ 1.578.175,55, valor líquido a ser recebido pelo clube. O valor seria pago pela administração municipal em parcelas mensais no valor máximo de R$ 50 mil. Com isso, a Francana receberia o montante pelos próximos dois anos e sete meses. Esses números são hipotéticos, já que se o negócio for concretizado, a Prefeitura de Franca poderá negociar a dívida com os credores e abaixar o débito, o que permitiria efetuar os repasses ao alviverde por mais tempo. Ontem, o prefeito Sidnei Franco da Rocha (PSDB) deu entrevista exclusiva ao Comércio da Franca. Por telefone, Rocha reafirmou ter entregue um termo de compromisso ao presidente do clube, José Servino Braga, na reunião que os dois tiveram na quarta-feira. "Entreguei a ele o termo e aguardo uma resposta para verificar se estarão de acordo. Não coloquei prazo para isto", esclareceu o prefeito. A proposta do prefeito, R$ 5,6 milhões pela sede da Veterana, feita na tarde de quarta-feira, foi noticiada com exclusividade pelo Comércio em sua edição de ontem. "Poderíamos fazer a desapropriação normal, mas o pagamento teria de ser à vista e nós não temos todo este dinheiro", ponderou o prefeito. Pelo clube, José Braga explicou que levará a proposta de oferta para ser discutida com os membros do conselho deliberativo. Inicialmente, a Francana pensava conseguir até R$ 9 milhões por sua sede. O presidente do órgão, Gabriel Alves de Oliveira, está em viagem ao Mato Grosso do Sul e só retorna a Franca neste fim de semana. A reunião entre a executiva e o conselho deve acontecer na próxima semana, mas a data ainda não foi marcada. Sidnei Rocha explicou que o objetivo é conseguir uma desapropriação "amigável". Por isso será preciso que a proposta, depois de eventualmente aprovada pela Francana, passe por análise da Câmara Municipal e também do Judiciário. "Como existem muitas ações judiciais contra o clube, precisaremos de um posicionamento favorável também do Poder Judiciário. Depois passará pela Câmara", explicou. VANTAGENS OBTIDAS Segundo o prefeito, mesmo contraindo uma dívida de mais de R$ 4 milhões, a Prefeitura não terá problemas para absorvê-la. Ele apontou como principal ponto positivo o poder de barganha que o governo municipal tem em negociar atrasados. "Com os fornecedores vamos negociar. Por exemplo, com a Previdência Privada temos um parcelamento para quitar cerca de R$ 65 milhões e o que vier da Francana seria incluído nisso. O mesmo procedimento vale para o fundo de garantia (FGTS), que nosso governo já paga parcelamentos sobre R$ 30 milhões", contabilizou. A sede também seria do governo municipal e haveria a instalação de um centro esportivo. "A Francana poderá utilizar essa estrutura normalmente, como é feito hoje com o Lanchão", afirmou. Para o clube, as dívidas sumiriam. O único problema é que ficará sem sede, sem sua maior referência em mais de 90 anos de história.

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