Quase 5 mil jovens conseguem carteira assinada


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Uarlem Barbosa de Oliveira conseguiu primeiro emprego após fazer curso no Senai
Uarlem Barbosa de Oliveira conseguiu primeiro emprego após fazer curso no Senai
Fransérgio Leal Matos, 16, sempre ajudou a mãe na banca de pesponto. Sabia, porém, que o emprego sem registro não lhe daria muito futuro e viu nos cursos do Senai a oportunidade de que precisava para se profissionalizar e arrumar um emprego formal. Uarlem de Oliveira, 18, não tinha experiência no setor de calçados. Ele trabalhou com o pai na agricultura durante muito tempo, e, pela falta de conhecimento do setor calçadista, também resolveu aprender sobre a fabricação de sapatos no Senai. Já seu colega Fransérgio Cintra de Andrade, 17, não passou pelo curso, mas a experiência adquirida em outras empresas, onde trabalhou sem registro, capacitou-o para entrar no mercado formal. As trajetórias de vida dos três se cruzaram no ano passado, quando foram contratados por uma mesma empresa, todos com carteira de trabalho assinada. Não foram os únicos. Eles estão entre os 4,79 mil francanos que ingressaram no mercado formal no ano de 2007, número significativo, embora menor que os apresentados desde 2004. Mais importante é que, de janeiro a dezembro de 2007, a cidade gerou 1,7 mil vagas - ou seja, a absorção dos jovens foi maior do que o número de vagas geradas. Os dados são do Ministério do Trabalho. No caso de Fransérgio Leal e Uarlem, eles já estavam na empresa, mas como integrantes do Programa do Menor Aprendiz Confeccionador Eclético de Calçados, projeto que visa à formação de jovens no mercado. A contratação, no entanto, ocorreu apenas em dezembro de 2007, três anos após entrarem na empresa. “Eu não tinha a menor idéia do que era uma fábrica. Fui para o almoxarifado, conheci os tipos de couro, fichas e depois o corte. Hoje, estou no almoxarifado de novo”, diz Fransérgio Leal. Já Fransérgio Cintra, que não teve a mesma oportunidade de estudar a teoria, vê a oportunidade que conseguiu como a chance de se dar bem. “Foi uma coisa divina meu pai ter passado por aqui e visto a placa de vagas abertas. Agora quero crescer na empresa e de repente me tornar até um chefe”. Mônica Estefaneli, responsável pelo Departamento Pessoal da empresa que contratou os três jovens, diz que contratou outros quatro funcionários sem experiência no ano passado. Ela aponta, no entanto, alguns problemas na contratação de pessoas sem experiência. “A política da empresa é incentivar a entrada de jovens no mercado de trabalho, mas existem algumas funções que não tem como eu contratar alguém sem experiência”. Além disso, para Mônica, a legislação atrapalha um pouco a contratação de jovens, situação confirmada pelo gerente industrial Luiz Facirolli. “Contratar meninos de 16 anos ficou complicado. Eles não podem trabalhar com produtos químicos e materiais cortantes, por exemplo, o que dificulta a contratação”.

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