Osmar Júlio, ajudante-geral; Lucineide Silva, doméstica; Otaviano Godói, auxiliar; José Cícero Rodrigues, pintor; Murilo Leite Silva, serralheiro; Margarida Fátima Santos, doméstica; Maurício Moreira, o “Scobby Doo”, guardador de carro; Adriana Ribeiro, dona-de-casa; Ana Carolina Bonfim, estudante. Todos são gente simples e marcados por um grande entusiasmo: defender a escola Embaixadores da Estação no Carnaval de Franca. O ânimo talvez venha das dificuldades em colocar a escola na avenida do samba, em fevereiro. Contudo, pode ser resultado da alegria de fazer parte de um projeto, uma meta. E se divertir.
As palavras de todos são fortes, certeiras. Em comum, estes foliões têm o amor pelo ritmo e pelo desafio de vencer adversários poderosos como a bicampeã Aliados da Santa Cruz. Bicampeã em 2000 e 2001, a Embaixadores considera sua própria gente seu maior trunfo para voltar a vencer.
O sucesso e envolvimento da comunidade pode ser medido nos números. Serão mais de 350 componentes, divididos em 12 alas e 3 carros alegóricos. A bateria é um capítulo à parte. 80 pessoas, 25 delas crianças, ensaiam todos os dias no Centro Comunitário, localizado na Vila São Sebastião. Há marcações, duelo de ritmos entre os instrumentos, coreografias utilizando o próprio corpo. O mestre de bateria é filho do presidente da escola. Com o apito na boca e uma baqueta na mão direita, Murilo Silva comanda as evoluções dos ritmistas. O ensaio é na rua que dá acesso ao Centro Comunitário durante mais de 60 minutos.
Outro destaque em suas fileiras é José Cícero Rodrigues. Ele toca caixa, usa luvas pretas e mantém a todo instante um sorriso aberto, singelo. Seu sobrinho, Erick fica à sua frente. “Bate” tamborim. No dia em que a reportagem do Comércio da Franca foi à escola, outro componente deu seu show. Para uma foto, Otaviano Godói, tocador de surdo, esqueceu completamente os dias passados em um depósito de construção para ser o astro. Ele saiu da formação e realizou movimentos inspirados nos percussionistas do Olodum, grupo baiano que encanta pela forma alegre e descontraída de tocar instrumentos do gênero.
É só isto? Não. A alegria também está presente nos outros membros. A doméstica Margarida Santos, 50, relembra ter participado de toda a história da Embaixadores. “Sempre tivemos muitas dificuldades. Em vários anos choveu, mas sempre desfilamos bem”, disse a foliã, que sairá na ala das baianas. Neste ano sua família em peso ajudou na confecção das fantasias. O objetivo é um só: quer comemorar na avenida o fato de completar em 2008, 20 anos de desfiles. “É uma satisfação”, disse. Ao seu lado ela terá muitos rostos como Maurício, mestre-sala; Adriana, porta-bandeira e Karen, destaque e passista.
A participação da comunidade foi enfatizada pela dupla de carnavalescos da Embaixadores da Estação. Cézar Pereira e Maurício Dias, bailarino há 20 anos e com passagens na Banda Conexão Nacional, trabalharam diretamente ligados aos moradores dos bairros que representam. “Nós confeccionávamos uma fantasia e repassávamos às mulheres, que nos devolviam dezenas iguaizinhas.
Temos quase tudo pronto e primamos pelos detalhes, principalmente nas fantasias. Nossa marca será esta: a integração e a alegria”, afirmou Dias. Para isto, um tema fácil foi escolhido e a tentativa é contá-lo de forma simples e envolvente. “Todos falam, pensam ou têm uma curiosidadezinha sobre Astrologia. Previsões, histórias de Nostradamus e de deuses da Mitologia serão mostrados na avenida. Tudo com muita descontração”, declarou Maurício Dias.
O presidente Delcides Moreira Silva comemora: “Só de colocar a escola na rua já é uma recompensa. Uma vitória de todos da nossa comunidade”, afirmou na noite de terça-feira. Agora é esperar para ver o que acontece diante dos jurados.
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