A melhor defesa é o ataque. A velha máxima do futebol foi empregada pelo vereador Marcelo Mambrini (PMN) ontem, ao apresentar sua defesa ao Conselho de Ética e Decoro da Câmara.
Para evitar a indicação da cassação de seu mandato, Mambrini abriu fogo contra o próprio conselho, sua ex-assessora, outros vereadores, MP (Ministério Público) e funcionários do Legislativo. Para ele, foi armado um complô para derrubá-lo.
Mambrini foi acusado por sua ex-assessora, Lara Cristina Rodrigues, de ter se apropriado de R$ 800 mensais seus, equivalentes a metade de seu salário líqüido, durante 14 meses. O MP requisitou inquérito policial, sob suspeita de crime de concussão, abrirá ação civil pública por improbidade administrativa e encaminhou o caso à Câmara, onde a denúncia pode terminar na cassação do mandato do policial militar reformado.
Outros dois vereadores podem ser punidos.
Logo no início de sua defesa, Mambrini parte para o ataque contra Jepy Pereira (PSDB), que assumiu ter conhecimento da partilha de dois assessores e, ainda assim, foi perdoado pelo Conselho de Ética - o processo foi arquivado em 5 de outubro - e pelo MP. “O vereador Jepy teria auferido de vantagem ilícita contando com os serviços de dois assessores. Não fica caracterizada concussão?” atacou Mambrini em seu depoimento.
Em seguida, Mambrini virou a mira para Luiz Carlos Fernandes (PSDB). Disse que o tucano fez denúncia semelhante a uma feita por ele e que as punições foram diferentes. Mambrini recebeu uma advertência - que pode prejudicá-lo no caso dos assessores, por ser reincidente - e nada teria sido feito com Fernandes, que é membro da Mesa Diretora da Câmara. “Pleiteio igualdade de tratamento”.
Depois, Mambrini atacou o MP. Ele insinua que o promotor Paulo Borges foi tendencioso nas apurações ao afirmar que os depoimentos foram colhidos “de forma inquisitória” e sem observar o princípio constitucional da ampla defesa. “Elas (as testemunhas) somente relataram aquilo que interessava ao MP”.
CONLUIO
Mambrini afirmou que Lara mentiu em seus depoimentos. Disse que a suposta partilha, filmada pela ex-assessora, era na verdade a devolução de parte de um empréstimo de R$ 1 mil feito à ela. Para ele, Lara armou uma situação, com a ajuda de dois servidores da Câmara, José Carlos Granzotti e Anéria Rosário Oliveira.
Problemas de relacionamento entre ele e os funcionários em 2006, quando Mambrini presidiu a Câmara, teriam motivado a suposta retaliação. “Este vereador adotou medidas moralizadoras, que contrariaram o interesse de funcionários (...) Não é descartada a participação destes em uma espécie de complô”, afirmou em seu depoimento.
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