Marcas da maldade


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Cachorros que sofreram agressões pelas ruas de Franca são atendidos pelas ONGs da cidade: já foi socorrido até um gato que teve a boca costurada
Cachorros que sofreram agressões pelas ruas de Franca são atendidos pelas ONGs da cidade: já foi socorrido até um gato que teve a boca costurada
16 de janeiro de 2008: um pitbull foi linchado no Jardim do Éden por um grupo de moradores que o apedrejaram e lhe agrediram com paus. O adestrador Adoniran Thomaz, o Dino, se deparou com a cena e resgatou o animal com a cara toda rasgada e ensangüentado. O cão foi medicado, mas morreu quatro dias depois devido aos graves ferimentos. 21 de janeiro de 2008: a veterinária Karina da Silva recebeu denúncia de que uma cachorra teria sido queimada viva na rua. Numa casa simples do Leporace II, recolheu a vira-lata embaixo da chuva, desidratada e com a parte lateral direita e barriga com feridas na carne viva. A cadela está sob os cuidados dos veterinários voluntários Fernando e Eliana Garcia, foi medicada, mas não tem previsão de receber alta. As duas ocorrências contra bichos foram registradas no intervalo de apenas uma semana. Essas são apenas duas histórias de maus-tratos. É difícil medir quantas acontecem, mas as duas entidades que lidam com animais em Franca permitem ter uma idéia da realidade. A ONG Turma do Abrigo recebe em média 15 denúncias por mês de bichos agredidos, normalmente em bairros da periferia, como Leporace e Aeroporto e região da Avenida Brasil. A ONG Cão que Mia também testemunha violência contra cães e gatos. Dos 120 bichos abrigados pelos voluntários num canil e numa chácara atualmente, 40 sofreram maus tratos. “São casos muito comuns. Ainda há aqueles que não chegam até nós. As pessoas têm de denunciar e os veterinários que atenderem esses casos não podem ser omissos”, disse a veterinária Karina da Silva. Os registros mais recentes, presenciados em 2007, são assustadores. Os voluntários cuidaram de um gato com o olho perfurado com ponta de cigarro, uma cadela com a orelha cortada com faca, um cachorro queimado com óleo quente, um cão que foi esfaqueado e teve o intestino perfurado pelos golpes e um gato preto, pasmem, que foi encontrado com a boca costurada. “São bichos usados em rituais de magia negra. Muitos acabam morrendo”, disse Karina. A situação é indigna. “Não entendo os motivos de cometerem essas barbaridades. Acho que pensam que animais são descartáveis, não sentem dor, nem sofrem”, disse Maria Luiza, uma das voluntárias da Cão que Mia. [FOTO2] Marina Melo, empresária, estudante de veterinária e presidente da ONG Turma do Abrigo, acha importante aproveitar as histórias para falar sobre violência de uma forma geral. “Existem estudos nos EUA e Inglaterra que apontam que a violência contra animais domésticos está relacionada à praticada contra pessoas. Se alguém bate num animal que é indefeso, poderá fazer o mesmo com crianças e idosos, que são indefesos também”. Os voluntários apontam soluções para evitar as agressões. Acreditam que muitas delas poderiam ser evitadas se os donos fossem mais responsáveis e cuidassem corretamente dos animais de estimação e as penalidades fossem mais severas. “As autoridades precisam estar atentas e punir. As leis devem ser cumpridas, pois se a pessoa não deixa de maltratar por consciência, que o faça por receio da punição. As escolas precisam formar cidadãos conscientes e dispostos a preservar a vida”, disse Marina Melo. Existe um abaixo-assinado na Câmara dos Vereadores com 1200 nomes para incentivar a inclusão da disciplina posse-responsável e conscientização ao não abandono de animais na grade das escolas municipais. Maltratar um animal é crime. O autor está sujeito de multa até a prisão que pode ir de 10 dias a um mês. Denúncias devem ser feitas para o Conselho Municipal de Proteção dos Animais pelos telefones (16) 3704-0907 ou 3704-4648, na Polícia Militar: 190, Polícia Civil: 197 ou clínicas veterinárias.

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