Financeira muda de nome para aplicar golpe velho


| Tempo de leitura: 3 min
A empresa tem novo nome, novo endereço de site na Internet e está supostamente instalada em um novo local, mas aplica um golpe velho. Com matriz em Belo Horizonte (MG), a SBF Financeira - denunciada por reportagem do Comércio, em outubro do ano passado por oferecer dinheiro fácil e “engambelar” os francanos, agora se chama União Financeira. Os estelionatários garantem que emprestam de R$ 3 mil a R$ 100 mil para autônomos, aposentados e funcionários públicos. Além disso, não fazem nenhuma consulta em banco de dados de proteção ao consumidor ou de restrição a crédito (Serasa ou SCPC). Basta apenas que o “cliente” faça um cadastro no banco de dados da empresa. Depois de aprovado o crédito, a vítima tem que depositar 8% do valor do empréstimo na conta de um dos corretores da empresa para ter o dinheiro liberado em 24 horas. Tudo estaria certo não fosse um problema: depois do depósito, o dinheiro não é liberado. Pior ainda: se o “cliente” liga pedindo explicações, a empresa é sintética: “Isso (o empréstimo) é um golpe. E caem nele todos os palhaços do nosso picadeiro”. Para comprovar que a “nova” financeira comete o golpe, o Comércio entrou em contato com os estelionatários, identificou-se (com nome e documentos inexistentes) como Bruno Castro Martins, 22, solicitando um empréstimo de R$ 4,5 mil. A recepcionista da financiadora, que se identificou como Isabela, disse que era necessário fazer um cadastro primeiramente. Para isto, solicitou o número do RG (Registro Geral), CPF (Cadastro de Pessoa Física) e o número da conta bancária. Mais tarde, os dados seriam encaminhados para o setor de análise de crédito da empresa, onde “consultores” avaliariam a possibilidade de emprestar dinheiro a Bruno. E mais uma vez, mesmo com tudo falso, a financeira aprovou o crédito e informou que ele deveria depositar uma caução de R$ 360 - o que representa 8% do valor do empréstimo - na conta de um dos corretores da Seguradora Brasil S/A, para que o dinheiro fosse liberado em 24 horas. Nem ao menos a assinatura de um contrato entre financeira e cliente - típico nestes casos -foi realizado. E nenhuma garantia para Bruno, por parte da empresa, foi dada de que a instituição era uma empresa idônea. Os contatos foram feitos por telefone. A reportagem fez um último contato com a financeira questionando o fato de a empresa ter aprovado o empréstimo para uma pessoa que ao menos nem existe. Segundo uma secretária que se limitou a se identificar como Cintia, isso ocorreu por um “erro” do sistema de cadastro. “Reclamações devem ser direcionadas ao diretor da empresa”. E quando perguntamos por que os golpistas mudaram o nome da empresa, Cintia foi direta. “Isso não te interessa. É tudo um golpe e muitas pessoas já caíram”. NA INTERNET Quem tiver curiosidade em realizar uma rápida pesquisa em sites de busca sobre a SBF Financeira não terá dificuldades em encontrar matérias que denunciam a ação dos estelionatários. O portal da antiga empresa continua sendo utilizado pelos golpistas, mas há um redirecionamento para o endereço da nova instituição, a União Financeira. No endereço (http://br.geocities.com/uniaofinanceira.htm), é possível localizar o número do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) da financeira. O cadastro especificado pertence à União Sócio Assistencial do Servidor Público, criada pelos integrantes da União. A financeira não possui inscrição estadual na Secretaria da Fazenda de Minas Gerais e não é cadastrada no Banco Central como instituição financeira. Além disso, ao contrário do que informa em seu site, a financeira não está supostamente instalada na Rua São Paulo 550, no Centro de Belo Horizonte. O prédio não existe naquele local especificado.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários