Francano condena divisão de salários na Câmara


| Tempo de leitura: 3 min
Mambrini (em pé) fala ao microfone de Nirley de Souza: ambos são acusados de pegar salário de assessoras
Mambrini (em pé) fala ao microfone de Nirley de Souza: ambos são acusados de pegar salário de assessoras
Uma enquete informal realizada pelo Comércio aponta que o escândalo da divisão de salários entre vereadores e assessores na Câmara de Franca repercutiu mal para os denunciados. Das 50 pessoas entrevistadas, 44 disseram que Marcelo Mambrini (PMN) e Nirley de Souza (DEM) devem ser cassados se a acusação for comprovada. Outras cinco não quiseram opinar e uma única pessoa disse acreditar na inocência dos políticos. A enquete foi realizada entre quarta-feira da semana passada e ontem. A reportagem percorreu dez bairros das quatro regiões periféricas da cidade e do Centro e entrevistou pessoas com idades entre 16 e 73 anos, das mais diversas ocupações. O estudo não segue critérios científicos e serve apenas como um indicador de opinião. O panorama no site do jornal é o mesmo. Uma enquete virtual, no ar desde quinta-feira e que contou, até as 17h20 de ontem, com 832 votos, revela que 91% se posicionam a favor da cassação. Outros 9% acreditam que os vereadores devem ser absolvidos. As opiniões na pesquisa de campo chamam a atenção. As pessoas, geralmente, vão ao extremo. A maioria é inflexível e acha que Mambrini e Nirley têm de perder o mandato de qualquer jeito. “Não tem perdão. A solução para um escândalo desse é cassar mesmo. Principalmente o Mambrini, que é policial e não perdoava as falhas de ninguém”, disse o comerciante Amílton Donizete de Almeida Pereira, 43, morador na Vila Santa Teresinha. “Se ele me pegasse de moto sem capacete eu não seria punido?”, questionou. Para a coladeira de peças Marina Anunciação, 34, moradora no Jardim Paulistano, é difícil acreditar que uma ex-assessora procuraria o Ministério Público para mentir. “Não acho que ela iria depor na frente do promotor se não fosse verdade. Se for comprovado que fizeram isso, os dois têm de ser punidos”, afirmou. Já para o pespontador Ismar da Silva, 37, morador na Vila São Sebastião, o corporativismo pode pesar na hora de decidir pela cassação ou absolvição de Mambrini e Nirley. “O problema é que, para mim, todo mundo lá deve alguma coisa. Um tem que encobrir o outro. É o que a gente vê em Brasília. Tomara que, aqui, se faça o que é justo”, disse ele, que assume ter votado em Mambrini. Somente uma pessoa entrevistada tomou partido dos parlamentares. Para a vendedora Giane Carla Lemos, 31, a denúncia do Ministério Público e a investigação do Conselho de Ética e Decoro da Câmara são uma encenação para prejudicar os vereadores. “É a armação perfeita, ninguém procura provas para acusar. Elas (as ex-assessoras) têm é dor-de-cotovelo e devem procurar o que fazer”, disse, afirmando, ainda, que acompanha o trabalho dos vereadores. O CASO Mambrini e Nirley foram denunciados no Ministério Público por suas ex-assessoras acusados de exigir, para si mesmos ou parentes, uma parte dos salários destinados a elas. A “partilha” iria de R$ 300 a R$ 800 mensais. O MP encaminhou o caso à presidência da Câmara, que instaurou processo interno no Conselho de Ética por quebra de decoro e pode indicar a cassação dos dois. Ambos negam todas as acusações. No caso de Mambrini, ele teria exigido que a assessora, Lara Cristina Rodrigues, desse a ele R$ 800 por mês, metade de seu salário líquido. Lara trabalhou 14 meses para Mambrini e sua demissão estaria ligada à negativa de prosseguir com a partilha. Antes de sair, ela fez um vídeo, flagrando uma das supostas divisões. Já Nirley é acusado por Marcia Pessoni. Demitida em 2006, denunciou, em dezembro, ao MP que foi forçada a comprar um carro para o irmão de Nirley, Carlinhos de Souza, em seu nome e pagar as prestações mensais do veículo, no valor de R$ 300. Mambrini entregará sua defesa por escrito hoje ao Conselho de Ética. Nirley terá até segunda-feira, 28. A princípio, o prazo seria o mesmo, mas os advogados de Nirley conseguiram mais cinco dias para analisar melhor o processo. Outro que deverá ser ouvido nos próximos dias é Jepy Pereira, também por irregularidades em relação aos salários de seu assessor.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários